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A pris�o do seu Manoel

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Seu Manoel é pedreiro de profissão, mas, tem um vício terrível em sua vida que só trouxe problemas pra ele e mais ainda para sua família. Seu Manoel Pereira da Silva é um alcoólatra desses que não pode ficar um dia sequer sem bicar a danada da cachaça, chegando ao ponto de cometer um crime tão grave que o levou para a cadeia. Entrou no supermercado e não conseguiu resistir à tentação de roubar uma garrafa de pinga cuja etiqueta na prateleira marcava o preço de R$ 1,70. Flagrado pela segurança do estabelecimento, a polícia foi acionada e o pedreiro imediatamente preso. Seis meses se passaram e o miserável continua vendo o sol quadrado sem que ninguém lhe socorra com um alvará de soltura. Afinal, quem é seu Manoel para merecer tamanho privilégio? Ao roubar uma garrafa de cachaça, o moribundo esqueceu que estava cometendo um delito e por isso, teve que pagar exemplarmente. O pedreiro alcoólatra esqueceu, que para não ser punido pelo roubo tinha que ter colarinho branco, roubar algo de valor, desviar dinheiro público, tirar a merenda escolar da boca de crianças carentes, ter amantes maravilhosas e carrões luxuosos, tomar uísque 18 anos, sonegar impostos, roubar dinheiro grande, 30, 50, 200 e muitos milhões. Ter ?gatos manhosos? para roubar energia da companhia de eletricidade para consumir muito e pagar pouquinho no final de cada mês. Enfim, tinha que ser roubo de gente graúda, de prestígio, habitué dos melhores espaços na mídia e ser chamado de excelência. Ora, o que fez seu Manoel? Roubou uma garrafa de cachaça que custava R$ 1,70. Coitado do desavisado pedreiro! A prisão de seu Manoel Pereira da Silva aconteceu no Rio de Janeiro, é notícia na imprensa e há cerca de duas semanas, o pedreiro continuava atrás das grades aguardando um veredicto da justiça, na esperança de um dia ter direito à liberdade pela imprudência de ter roubado aquela desgraçada garrafa de pinga. Esse simples trabalhador não passa de mais uma vítima das horrorosas injustiças sociais que se cometem no País que nunca lhe ofereceu oportunidade de ir à escola, de ter assistência à saúde, emprego e renda garantidos, apenas o básico para sua família viver com dignidade. Talvez, mirando o mau exemplo do seu Manoel, a sociedade alagoana descruze os braços, acorde definitivamente e descarregue seu grito de indignação, manifestando claramente seu desprezo por este momento humilhante para os cidadãos de bem dessa terra. Porém, é possível que se vivos estivessem, o Bandido da Luz Vermelha e Al Alcapone até se ofendessem por não ter alcançado tamanho grau de periculosidade. (*) É publicitário.

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