Opinião
A dengue, o Jenner e o Vergetti .
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Eduard Jenner era um médico do interior da Grã-Bretanha nos idos do século 19, quando as epidemias viróticas eram as maiores responsáveis pelas mortes em escalas industriais da população, sendo a varíola a maior vilã, como se verificou na epidemia de 1560, quando exterminou 60 milhões de europeus, 30% da sua população. Hoje, a população da Europa beira os 480 milhões de pessoas e, se as condições da Medicina fossem semelhantes, uma epidemia de varíola exterminaria 160 milhões dessas pessoas.
Jenner era um bom observador (uma qualidade indispensável em Medicina) e enxergou que as mulheres que ordenhavam as vacas, quando pegavam varíola, era de uma forma branda, igual às daqueles animais, pois as pústulas só lhes acometiam os braços. Jenner colheu as secreções das pústulas de uma vaca infectada pela varíola e as injetou em uma criança saudável de 8 anos e a expôs a vários pacientes acometidos pela forma humana grave da varíola. A criança saiu incólume de todas essas exposições.
Jenner tinha descoberto uma forma de prevenção da maior das calamidades humanas, a varíola. Ele escreveu: “A alegria que senti na perspectiva diante de mim aberta de ser o instrumento destinado a tirar do mundo uma das suas maiores calamidades foi tão excessiva que algumas vezes me encontrei em uma espécie de devaneio”. Vacina vem do latim “vacum”, de vaca.
Eram idos de 1876. As vacinas passaram a ser a principal ferramenta da Medicina em sua essência humanística, como afirmou William Osler: “Prevenir doenças, aliviar o sofrimento e curar os doentes - esse é o nosso trabalho”. A OMS declarou a varíola extinta da Terra em 1980 - pelo uso das vacinas.
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A dengue é atualmente o flagelo de saúde pública nacional. Pela quantidade de pessoas acometidas, tornou-se uma prioridade sanitária. Lamenta-se que só agora tenha surgido uma vacina, sendo o Brasil o primeiro país a usá-la, mas em quantidades ainda insuficientes.
Sabemos que para enfrentar a dengue existem medidas preventivas, como evitar água acumulada. As autoridades e os infectologistas estão divulgando maciçamente essa e outras orientações para evitar a doença, mas isso depende muito da adesão da população: aceitar as informações da ciência, aderir às mesmas, ser solidário e demonstrar empatia, o que não tem sido uma virtude cultivada no país nos últimos anos.
Nesta semana, perdemos um dos expoentes da Saúde Pública das Alagoas, o Dr. Geraldo Vergetti, reconhecida liderança nessa cruzada sublime da melhor Medicina, que é, antes de tudo, prevenir as doenças.