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Territ�rio minado

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O governo federal lançou o programa Territórios da Cidadania e, de imediato, instalou-se a polêmica. A oposição ao presidente Lula vê oportunismo político no projeto, com o claro objetivo eleitoreiro. São bilhões de reais a serem despejados em municípios num ano em que os prefeitos ou concorrem à reeleição ou tentam fazer o sucessor. O assunto já rendeu a troca de farpas ? em rede nacional de TV ? entre o presidente da República e o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também é o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Enquanto as acusações e reações se sucedem, o programa vai chegando aos municípios. Em Alagoas, depois de Arapiraca e Delmiro Gouveia, a cidade de Maragogi sediou, ontem, uma audiência pública sobre o programa. Lá, estiveram prefeitos da região Norte e lideranças políticas. E é exatamente o viés político que parece deixar no ar a leve suspeita de uso eleitoral do programa de bonito nome. Presente ao evento, o deputado Paulão, do PT de Lula, responde às críticas em nossa reportagem de hoje. Num contexto no qual, de vez em quando, prefeitos vão parar na cadeia, é natural a desconfiança sobre a seriedade e os critérios para distribuição e aplicação dos recursos públicos. No entanto, não se pode partir do princípio de que todos são desonestos e que todo e qualquer programa vai acabar nas mãos de quem não deveria. O mais novo lançamento do governo destina recursos para regiões que de fato precisam deles para tocar políticas sociais. São cidades cujo IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano, está entre os piores do Brasil ? precisam com urgência de medidas para enfrentar o quadro. Sim, o ano é eleitoral, mas isso não é o suficiente para condenação a priori do Territórios. Os recursos são necessários. A ética deve nortear destinação.

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