Opinião
O Estado e a educa��o
José Elias O Estado ainda experimenta uma crise feia que, no Palácio, deixa o governador Vilela, nas ruas, com o índice de avaliação comprometendo sua biografia política. Mas, aos poucos, vem sendo puxado, por uma corda, do fundo do poço. Nem tudo está no escuro porque, apesar dos desacertos do princípio, alguns sinais demonstram que Alagoas ? fora dos trilhos nos últimos 14 meses ? retoma o rumo perdido. No geral, a rigor, alguns destaques que a sociedade, no recesso do lar, reconhece pela competência exibida ao longo das dificuldades. Álvaro Machado, por exemplo, é o pára-choque das críticas, intrigas e desaforos que, na ante-sala, desembarcam no gabinete de Vilela. Sem aparecer, no silêncio, também Luiz Otávio ? lá fora, prestígio pessoal ? busca atrair o desenvolvimento que, pelas péssimas notícias, passa bem distante, lá por cima, dentro do avião, sem olhar pra baixo. Fernanda Vilela calou a boca dos opositores e, fazendo o dever de casa, prova que sua seriedade chegou na medida certa para colocar as contas em dia. Sucesso onde botou a mão ? Chesf, Sudene, Sebrae ? Sérgio Moreira planeja a saída da contramão. E a grande revelação, André Valente, ainda muito jovem, está tirando a saúde da UTI. A estabilidade, porém, que impediu o desmoronamento do governo, está se despedindo hoje com a consciência do dever cumprido. Até quem não gosta de Vilela concorda que, além de ser a escora que amparou a queda, Fábio Farias vai fazer muita falta a Alagoas e a administração pública. Abrindo as páginas do passado, vai-se reler que, na campanha, abraçado com Lessa, o governador atirou no azul e acertou no vermelho. Projetou uma Suíça e, quando abriu o pacote, viu que havia recebido o Paraguai. Aí, cofre seco, começou a via-crucis. Não pôde honrar os compromissos assumidos, no papel, pelo antecessor e, chuva forte, a casa desabou literalmente. Professores contando com reajuste dado por Lessa, garantido por lei, reagiram, com justa razão, ao retrocesso. E o pau caiu nas costas do secretário de Educação que, não fosse habilidoso, teria sido tragado pela correnteza. Greve, ruas agitadas, povo solidário ao magistério ? unanimidade contra os argumentos do Palácio ? parecia que o poder caminhava pra o fim. Com calma, costurando os entendimentos como um artesão, Farias evitou o pior. Numa linguagem popular: ficou na frente de Vilela e, com paciência, conquistando a confiança dos manifestantes, negociando com transparência, impediu que as pedradas ferissem a cabeça do governador, seu parceiro na área política e amigo no campo pessoal. Escreveu o nome na galeria da história e, seguramente, por onde passar vai ser lembrado pela relevância dos serviços prestados. (*) É jornalista.