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Opinião

Homenagem a uma mulher imprescind�vel

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Estamos celebrando mais um oito de março. Lembrei-me que esta data é também aniversário de Selma, uma das mulheres mais importantes da minha vida. Ela não é a minha mãe, para quem imaginou isso, ainda que às vezes desempenhe papel semelhante, quando age de forma teimosa e sem querer aceitar sugestões ou orientações. A verdade é que sem ela minha vida seria um inferno dantesco. Considero-me uma mulher do século 21, apesar de ter nascido no século passado, como muitas mulheres que hoje lêem este artigo sobre tão importante data na história das mulheres e dos povos civilizados. Faço parte dessa era em que a conquista dos direitos civis pelas mulheres do mundo nos permitiram estudar, exercer nossa cidadania através do voto, bem como escolher e construir uma carreira em toda e qualquer área. E foi o que busquei fazer: carreira e vida pessoal podem ser levadas sem grandes prejuízos. Considero até natural que vez por outra algo caminhe na contramão e um ou outro compromisso profissional fique de lado, porque a vida pessoal pede um pouco mais de atenção. E ai de mim se não fosse Selma nessas situações. É para ela que dedico este pequeno artigo. Certa vez uma estudante alemã cobrou-me, como brasileira, as razões de o Brasil permitir que pessoas sejam ?escravizadas? no trabalho doméstico. Levei um bom tempo tentando explicar o inexplicável: que tais pessoas não têm praticamente nenhuma outra chance de emprego na vida se não for ocupando esta posição, a de empregada doméstica. Precisam trabalhar muito cedo para ajudar suas próprias famílias. E nessa trajetória, freqüentam a escola (quando freqüentam) durante um curto espaço de tempo e depois a abandonam, porque precisam trabalhar e criar seus próprios filhos (além dos filhos alheios). Se eu posso exercer a minha atividade de professora e pesquisadora da Universidade Federal de Alagoas, produzir meus livros, ir a congressos, ou viajar a trabalho com certa freqüência, é porque Selma está lá na minha retaguarda, dando o suporte necessário para que eu possa ocupar o meu espaço público. Ela está lá, cuidando da minha casa, fazendo todas as coisas que não me sobra tempo (nem desejo) para fazer. É por isso que Selma tornou-se uma mulher imprescindível para mim. Penso que todas nós mulheres que atuamos no espaço público, devemos essa homenagem às tantas Selmas que, silenciosamente, domesticamente, respeitosamente, cuidam de nós. (*) É professora da Faculdade de Letras da Ufal.

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