Opinião
Outubro em vista
Boa parte da população brasileira está esperando a próxima oportunidade de ajudar o País a ter melhor sorte na escolha de seus legisladores. O mês de outubro está chegando e com ele a chance que não pode ser desperdiçada de passarmos a acreditar que ainda é possível um futuro construído com a participação imprescindível de expressiva parcela dos nossos detentores de mandato eletivo. Mais uma vez, as mudanças para melhor começarão com as eleições municipais, quando não poderão deixar de ser devidamente consideradas as conseqüências de uma série inacabada de escândalos surgidos até em instituições das importantes e tradicionais, responsáveis pela elaboração das leis e fiscalização dos gastos do dinheiro público. Está chegando, portanto, nova e oportuníssima ocasião do povo reforçar, pelo voto, o combate às persistentes facilidades das práticas de abuso com as verbas destinadas a manter os poderes constituídos em funcionamento, como as que acabam de ser evidenciadas no estudo mais recente divulgado pela ONG Transparência Brasil. De acordo com dados desse levantamento, quem mora nas capitais brasileiras já gasta R$ 117,42, em média, por ano para manter em funcionamento o Legislativo nas esferas municipal, estadual e federal. Considerando-se apenas as Assembléias Legislativas estaduais, a mais cara é a de Roraima, com custo anual de R$ 145,19 por habitante. Justamente na região Norte, uma das mais empobrecidas do território nacional. Diferentemente da congênere do Estado de São Paulo, que apresenta menor custo por morador (R$ 10,63 por ano). Fatos como esses causariam surpresas se não chegassem ao conhecimento da opinião pública a constatação, ainda através da referida ONG, que os Estados e as capitais mais pobres gastam proporcionalmente mais com as suas casas legislativas.