Opinião
Julgamentos incoerentes
A ciência, na sua evolução vertiginosa dos últimos séculos, tem nos surpreendido com grandes conquistas no campo da medicina, da genética e das ciências naturais. Há aparelhagens tão avançadas que nos informam os mais secretos distúrbios que acontecem no organismo humano, possibilitando, muitas vezes, a cura para males outrora fadados a um desfecho fatal. Todo dia somos informados de uma nova descoberta capaz de eliminar uma doença grave que nos afeta ou a um membro de nossa família, enchendo-nos de esperanças. As últimas descobertas são as curas com células-tronco que oferecem a vida para os portadores atormentados por várias enfermidades. Mas para obter esse tratamento os cientistas têm que utilizar embriões humanos que só têm vida quando implantados no útero da mulher. Aí vem a avaliação incoerente da igreja e de certos membros da justiça, porque eles representam presumíveis seres futuros. Dentro de seus conceitos radicais, não podem ser eliminados, nem mesmo em beneficio de doentes que se tornarão saudáveis com o sacrifício dos mesmos. Os embriões são óvulos fertilizados in vitro para serem gerados no útero. Muitos deles nem sempre chegam a ser fecundados e, nesses casos, são abandonados nos congeladores onde perdem a validade. Dificilmente resultariam em gravidez. Mas, são úteis para o processo das células-tronco. Irão salvar outras vidas desesperadas. Nada mais belo que esse destino tão nobre que lhes é dado pelos cientistas: são embriões descartados, salvando vidas, numa troca conciliatória que não pode deixar de ser abençoada por Deus. Tenho dois casos bem característicos em minha família: meu marido e meu filho foram acometidos de um mal hereditário, até então sem cura: o primeiro aos 67 anos e o segundo aos 50 anos, ambos médicos competentes e dedicados, estariam sanados de pudessem ter recebido as células-tronco. Basicamente há dois tipos de células-tronco: as de embriões e as extraídas de tecidos maduros, como do cordão umbilical ou da medula óssea. É justo deixar sofrer e morrer pessoas, por não poderem ser usadas essas milagrosas descobertas científicas? Estamos no tempo da Campanha da Fraternidade, o tema escolhido foi ?Defesa da Vida?. Mas, tem-se dado mais importância em derrubar as novas descobertas científicas que salvar as crianças famintas ou conquistar a vida para os jovens, trazendo-os para longe das drogas, tornando-os conscientes dos perigos do tráfego e das relações sexuais irresponsáveis, através de leis mais sensatas e de uma séria educação. (*) É escritora.