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Caminho para a sintonia

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Não são poucas as pessoas que se sentem, hoje, destroçadas, no seu interior, que se sentem jogadas de lá para cá, entre a força e a fraqueza, entre o medo e a confiança, entre o desejo do sobrenatural e as exigências do cotidiano. São pessoas que anseiam pela sintonia e pelo despertar da concórdia. Gostariam de encontrar unidade dentro de si mesmas, nos muitos conflitos da sociedade. Não é de agora o desejo de concórdia e de harmonia, senão antiqüíssimo. Já os filósofos gregos alimentavam esse desejo. Assim Heráclito, Platão, Parmênides e Plotino. A questão é como encontrar o caminho para a sintonia e tentar viver a unidade interior consigo mesmo e com os outros. Embora cada pessoa conduza, dentro de si, possibilidades de uma vida plena e feliz, nem todos podem realizar o que desejariam e poderiam fazer para despertar em si mesmas a transcendência presente nas coisas simples de cada dia e a plenitude em cada momento que passa. Por isso é importante agarrar os instantes capazes de despertar em cada um de nós a sintonia, o cuidado, a alegria, o silêncio, o amor, a gratidão e a serenidade que nos podem tornar felizes. Quem não já experimentou aquela sensação de bem-estar quando se viu envolvido por um indizível sentimento de felicidade e contentamento?! Um músico sente a sintonia na harmonia dos acordes de sua composição, quando se torna um com os tons de seu instrumento. Então, ele não pensa em mais nada: toca, simplesmente, sua música. Com efeito, como gostaríamos de reter para sempre esses momentos felizes. Entretanto, já no próximo instante sentimos a ruptura interior, porque parece que o ser uno dura, apenas, momentos fugazes. No mundo da infância, quando observamos crianças a brincar, percebemos que estão absortas no lazer. Entregam-se elas à brincadeira de tal maneira que tudo o mais é sem importância. Enquanto esquecem de si mesmas, estão, de todo, presentes, em sintonia consigo mesmas e com o momento. Chegam a perder a noção do tempo. Assim, a menina com sua boneca e os meninos com sua bola, seus brinquedos. Todos absorvidos em seu mundo. Horas seguidas consigo mesmos e com seus sonhos. Ser como criança é o segredo dos monges: o monge é alguém que de tudo se afastou, que tudo, aparentemente, abandonou para experimentar o perder-se no brinquedo da oração, na beleza da criação, na solidão do seu claustro. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e membro da Academia Alagoana de Letras.

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