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O calorzão e a violência .
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A semana veio com o calorzão e com o sequestro de um ônibus na rodoviária do Rio de Janeiro que, graças ao preparo da Polícia Militar (PM), findou com apenas uma vítima grave e sem óbitos, mostrando que eventos passados, como o ônibus 174 e outros episódios de selvageria escancarada como o da ponte Rio-Niterói, quando o ex-governador comemorou efusivamente uma morte, não fazem parte obrigatória do repertório carioca.
A questão de observar os efeitos psicológicos das guerras e da violência nas pessoas - a Ucrânia e a Faixa De Gaza estão distantes, mas não a rodoviária do Rio de Janeiro - teve em Erich Fromm (um psicólogo social judeu que precisou fugir da Alemanha quando o partido nazista chegou ao poder) um estudioso com obras que ainda são referenciais.
Fromm elegeu 4 razões psicológicas para as guerras e para a violência: a falta de confiança entre nós; o medo do que pode acontecer, com a confusão entre o possível e o provável ( há muitos que vivem convencidos de que, em algum momento , o vizinho vai lhe tomar a propriedade); os perigos das ideologias e da idolatria, que não se extinguiram com Hitler e, finalmente, a crença na decadência do ser humano que teria “um lado escuro, ilógico e irracional”. Daí, aqueles que são diferentes podem ser atacados brutal e grosseiramente.
Os últimos acontecimentos verificados pelas ações dos policiais militares do Rio de Janeiro em comparação com a sua congênere paulista na Baixada Santista, resultando em mais de 40 mortes, chegando perto do massacre do Carandiru e em sendo os dois governos de tendência política e ideológica similares, mostram-se significativos em relação a métodos e resultados.
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O discurso de que “bandido bom é bandido morto”, além de ser contrário às leis em vigor no país, demonstra uma postura seletiva e indefensável em seus objetivos: quando os crimes são cometidos por aliados (como no 8 de janeiro), apela-se para os direitos humanos e a anistia. A PM do Rio de Janeiro aprendeu com seus erros passados, investiu na educação e no preparo da tropa e serve de modelo civilizado atual, enquanto a PM paulista parece que regrediu nesse sentido. Violência gera violência: temos um dos maiores índices de homicídios do mundo.
Em 2013, os antropólogos Douglas Fry e Patrik Sodeberg demonstraram que os nossos ancestrais mais primitivos (os caçadores-coletores) brigavam e existiam até homicídios, mas as guerras e os extermínios coletivos só passaram a existir depois. A violência não é uma determinação genética humana. O calorzão traz imenso desconforto, doenças e prejuízos econômicos, e assim como as mudanças climáticas não dependem só do El Nino - são resultados da ação humana. A violência e a ignorância não são inerentes ao ser humano, mas elas são ameaças que precisam ser enfrentadas com adequado preparo e dentro das leis vigentes.