Opinião
Por uma cultura antimachista
A nossa Mãe Gentil violenta 7 mulheres a cada 1 hora, e 70% dos abusos vem do marido, do pai, do padrasto, do avô, de tios. A nossa Estrela Radiosa alumia e decai sobre as 20 ocorrências diárias de agressões contra a mulher, 430 por mês, somando 4.282 em um semestre de 2007, revelando tais agressões o quanto a estrutura cultural/social é machista e por extensão, o quanto ela é violenta. Desfazer as estruturas da cultura machista é imperativo. E uma vez que nós a fizemos, do mesmo modo nos é possível desfazê-la. As estruturas culturais machistas atravessaram os séculos ditando a religião, as artes, as ciências, a política, a moral, o Direito e muitas coisas erradas. Coagido pela cultura máscula, o senso comum, mesmo inserido na sofisticação intelectual do século 20, ainda reverenciava o machismo, e àquela altura, os graus de lesões contra a mulher muito mais que costumeiros, eram já socialmente aceitos. Mesmo na vigência da emancipação feminina, muitos dos homens e também certas mulheres deste século retalham a significância de tal conquista, conservando a cultura machista. Por meio da difusão, os filmes pornôs masculinamente concebidos criam um padrão para a sexualidade feminina que, uma vez retidos na mente máscula, exigem da mulher o mesmo desempenho de sexo bizarro dos seus conteúdos ? o que incita o abuso sexual e o mercado da prostituição. A propaganda muitas vezes torna o sexo feminino produto de venda e consumo: cervejas e carros como os meios, mulheres e mulheres para os fins, numa real ?coisificação? mulheril. A subcultura musical, agora com o pornoforró que uns infamam ao chamá-lo cultura popular, além de asquerosa é ignóbil e só representa o preconceito e a mediocridade de seus compositores em relação à mulher. O senso universal de justiça tem de estar a favor da extinção do machismo, tratando os gêneros feminino e masculino de maneira congênere, da família às instituições sociais. Reagir legalmente aos fustigos plubicitários e às agressões físicas contra as mulheres não é só tarefa delas; é de todos, pois os destratos são, na sua essência, contra o gênero humano. E a mulher não carece pôr o homem como referência social. A mulher mesma é quem é a referência em si e para si. (*) É estudante de Letras da Ufal.