Opinião
Paz e civilidade
Alagoas vive mais um momento singular e grave, ainda no meio dos estragos da chamada Operação Taturana ? um escândalo que mostrou a sociedade algo terrível: o desvio de milhões dos cofres públicos. Dramático que esse esquema tenha sido desmontado e implodido dentro do parlamento alagoano, a Assembléia Legislativa Estadual. Do começo de dezembro para cá, os fatos se desdobram, a variedade de elementos revela a profundidade da situação. Um movimento foi criado para combater o crime organizado e a corrupção. Eis aí algo que também é singular. Mas esse grupo não deve ser visto como algo isolado, de entidades e sindicatos e associações e lideranças, etc. E de fato não é assim que as coisas vêm ocorrendo. Em mais de um momento, em diferentes instâncias, pôde-se constatar a reação da sociedade alagoana após a descoberta dos desvios perpetrados na Casa de Tavares Bastos. Todos merecem o direito à defesa, o amplo respeito ao contraditório ? longe, muito longe da condenação prévia, do preconceito, do fácil juízo de valor. Aliás, é exatamente esse raciocínio que está na cabeça dos deputados estaduais indiciados pela Polícia Federal. Muitos já responderam por essa linha de defesa: ?Estão pré-julgando, estão condenando sem julgamento legal...? Nada disso. A sociedade se manifesta diante de evidências gritantes. Até agora discreto nos comentários sobre o caso, o governador Teotonio Vilela Filho eleva o tom e sinaliza que seu governo ? a despeito de, naturalmente, também não prejulgar ? não vai legitimar atos nocivos ao desenvolvimento do Estado. Homem de paz, o governador também sabe que não pode ceder a pressões e nem alimentar espíritos bélicos. Deve agir com firmeza para afastar aquilo que não serve ao convívio civilizado, pacífico e honesto de um povo, afinal.