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Opinião

Caminhando pela vida

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?A sacudida que os idosos estão dando no mercado é o resultado da mais extraordinária mudança demográfica do País?, diz o sociólogo Márcio Monteiro, de São Paulo. Em 1962 quando me formei, quem chegava aos 60 anos vivia em média mais 5. No último senso do IBGE, descobriu-se que a expectativa média de vida do sexagenário aumentou muito. Em 1950, o Brasil tinha 50 milhões de habitantes, dos quais só 4% haviam conseguido chegar a barreira dos 50 anos. Hoje, com população de 198 milhões de pessoas, o País tem 12% de idosos. Eles são mais numerosos que os habitantes de Portugal, Suécia e Bélgica. Deus criou o homem à sua imagem e semelhança e o colocou na terra dando-lhe plena liberdade para agir de acordo com a sua consciência. Os que sabem dosar essa liberdade e viver dentro dos seus limites, com certeza chegarão bem longe; os outros que vivem tumultuando a sua vida e da dos que lhe contornam, provavelmente terão esse tempo encurtado. Temos de viver cada etapa, cada época, sem retrocesso, numa evolução natural, sem pressa. Um aforismo médico diz: ?O homem tem a idade de suas artérias?. Podemos acrescentar: e de sua mente. As artérias podem estar lindas, mas não servirão muito se ele tiver o espírito derrotista. Conservar a vitalidade ? eis o segredo. E esta reside no amor à vida e nos cuidados com o seu organismo. De André Maurois é a frase: ?O mal da velhice não é o enfraquecimento do corpo, mas a indiferença da alma?. E nós dizemos: o mal da velhice é pensar que a velhice é um mal. Um dos maiores neuro-cientistas do mundo atual, dr. Ramachandram, afirma que o cérebro continua a se desenvolver durante a idade adulta. É preciso estimulá-lo. As boas emoções induzem a esse tipo de reorganização. Em outras palavras: o homem idoso pode batalhar para ser feliz. Ser feliz depende muito do temperamento, mas depende muito também do ambiente e da família na qual estamos inseridos. Os idosos que residem com a família numerosa, se angustiam bastante nos tempos modernos. Todo mundo quer viver muito, o máximo, apesar do medo da velhice, da solidão. O Brasil há 40 anos era considerado um País de jovens; hoje, ao contrario, volumoso número de idosos o habita. Significa que os velhos estão morrendo menos, com vida mais bem cuidada, indo mais longe. Significa que já caminhamos bastante nesse sentido. Como andarilhos do tempo, vamos andando e pensando nos versos de Fernando Pessoa: ?Temos todos que vivemos/uma vida que é vivida/e outra que é pensada/e a única que temos/é essa que é dividida/entre a verdadeira e a errada?. (*) É médico ([email protected]).

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