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Ladr�es & lar�pios

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Vivendo e aprendendo, diz o dito popular. Desde os tempos menina ? lá vai tempo! ? ouço como grande verdade a afirmação quase simplória. E nem só coisas boas aprendemos nós, os viventes deste mundo, mas também as más, as coisas erradas. Cabe a cada um separar o joio do trigo, divisar o caminho certo, viver para o bem. Muitos são os que, embora nascidos em famílias desprovidas de tudo, têm coragem de lutar contra as armadilhas do destino e se empenham em superá-las, seja através do estudo seja pelo trabalho ingente; outros há que, mesmo tendo a sorte lhes sorrido, enveredam pelos caminhos tortuosos do crime. Lemos sobre pessoas que pelo furto de uma lata de leite ou mesmo de uma garrafa de bebida têm apodrecido nos cárceres sem que a justiça lhes estenda as mãos. Bandidos mais perigosos, porém, são os que acobertados pelo ?status? na sociedade, arrombam os cofres públicos, desrespeitando a própria terra em que nasceram. Terra esta formada por uma gente pobre, faminta, sem educação e sem assistência médica. Gente que vota em troca de cesta básica ou de sacos de cimento. Agora eu pergunto: há interesse, por parte dessa casta de políticos desalmados, em tirar esse povo da miséria e da ignorância? O que temos observado nos últimos meses em relação à Assembléia Legislativa é de fazer defunto corar. Do alto dos meus oitenta e tantos anos, posso afirmar sem medo que nunca, nunca mesmo, vi tamanha desfaçatez vinda de homens públicos. O cinismo virou regra, matar e roubar sob o manto da imunidade parlamentar tornou-se uma coisa normal. E o homem de bem, aquele que lutando com as dificuldades da vida consegue criar os filhos com dignidade, esse homem olha estupefato para a Casa do Povo, como se não pudesse acreditar na bandalheira que ali vem rolando impunemente sem que se dê um basta. Toda regra tem exceção, diz outro dito. Eu até creio. Mas nesse caso elas são tão mínimas que não chegam a preencher os dedos de uma só mão. ?Oh Pátria amada, idolatrada, salve, salve!? Há quem estufe o peito ao cantar o nosso hino nacional mas só pense mesmo em sugar a Pátria. Até quando vamos consentir? (*) É escritora, atriz, cantora e poeta.

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