Opinião
M�s dos marcianos
Como todos aqueles nascidos no mês dedicado a Marte, sou marciano. Depois de taludo fui ver que meu pai também era de março. Nascido em Campos, no Estado do Rio Janeiro, acompanhou o pai que voltava a Portugal para retornar ao Brasil dois anos após. O Diário de Pernambuco de 15/09/2006, na coluna Diário na História, relata que há cem anos, 15/09/1906, ?o sr. Carlos Brêda, artista português aqui chegado ultimamente, veio mostrar-nos ontem um seu trabalho a ?souce?: o retrato do dr. Martins Junior, primorosamente acabado. De modo elegante, o desenhista colocou no quadro pensamentos de Arthur Azevedo...? Era meu avô voltando de Portugal trazendo seu primogênito de mesmo nome, ainda com 2 anos. E pelo Nordeste ficou, iniciando uma saga inusitada: como artista estava sempre onde podia exercer sua arte, daí que, percorrendo toda a região, nasceram filhos em quase todos os Estados; Bahia, Sergipe, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Menos em Alagoas, onde todos vieram a se fixar. Tendo que acompanhar a família, como nômade, meu pai teve seus estudos sacrificados, daí o valor que sempre deu às bibliotecas: ?São como ostras, podem ser feias por fora, mas se nelas não acharmos uma pérola, pelo menos, teremos o alimento para nosso saber.? Aqui casou, constituiu família, participou ativamente de ações comunitárias, dirigiu a antiga Companhia Telefônica de Alagoas, C.T.A., a Telasa, presidiu a Associação dos Retalhistas, e com seus irmãos implantou o primeiro bairro projetado, Gruta de Lourdes, o primeiro edifício com dez 10 andares, o Brêda e várias empresas. Seu maior orgulho foi, como operário da arte, herança do pai, ter pintado afrescos no prédio em construção da Associação Comercial, e depois vir a presidi-la por dezoito anos. Mas, quando se foi para um plano mais alto e perdi minha referência, o destino já tinha me colocado outro marciano como farol: meu estimado sogro, dr. Ib Gatto. Sobre ele posso dizer ser o maior alagoano vivo e que, por trás de suas obras, existe um sentido maior que a própria realização: é o sentimento de solidariedade cristã encontrado em todas elas. Agora vêm as coincidências. Nascido em 1904, neste mês meu pai completaria, se vivo, 104 anos. Dr. Ib Gato, de 1914, festeja, neste dia 20, 94 anos. Eu, inteiro as mais bem vividas 64 primaveras, e com Juju, como fugimos -? moda na época ? em março de 1964, brindamos 44 bodas. Como se não bastasse esta festa do numeral, temos quatro maravilhosos filhos e, por enquanto, um múltiplo de quatro; oito netos. Tem bastante pano para as mangas de um numerólogo, mas o que vou fazer de fato é agradecer a Deus e bem comemorar estas, (ops!), quatro datas do mês dos marcianos. (*) É bacharel em economia.