Opinião
C�lulas-tronco: por um debate de bom senso
No passado 11 de março, nesta Gazeta de Alagoas, apareceu um artigo sobre a questão das células-tronco e seu uso para fins ditos científicos. O texto em baila defende a destruição de embriões humanos, partindo de pressupostos mais que discutíveis do ponto de vista ético, religioso e filosófico. Qualquer pessoa de bom senso sabe que o tema é, pelo menos, complexo. Certamente que todos têm direito de defender sua opinião. A questão é que o artigo ataca de modo injusto e demagógico a Igreja Católica. O texto mostra impreciso conhecimento histórico, preconceito e raiva contra a Igreja, além de ignorância completa sobre a posição católica. Critique-se a Igreja; é um direito. Mas, primeiro, procure-se conhecer seus argumentos! Ela é criticável. Mas, utilize argumentos inteligentes e pertinentes! Infelizmente não foi o caso do presidente da Comissão de Saúde da OAB de Alagoas. Não tem sentido falar da inquisição no debate sobre células-tronco. É pura paixão de quem não tem argumentos melhores. Sobre a inquisição teríamos muito a debater ? e não com a leviandade da argumentação e a falsidade de afirmações do citado articulista. Certamente os advogados da OAB gostavam muito da Igreja quando ela, juntamente com a respeitável Instituição, combateu a ditadura e viu muitos dos seus filhos perseguidos e mortos em defesa da liberdade e da vida humana. Que pena que alguns tenham uma memória tão seletiva! Sejamos sérios em temas tão sérios! O citado artigo acusa a Igreja de maniqueísmo. Não sei se o autor sabe bem qual a doutrina dos maniqueus. Pelo que escreveu, desconhece o assunto. Afirmou que a Igreja ensina a felicidade da alma às custas do sofrimento da carne. Não sei de quem ele aprendeu tamanha bobagem. A Igreja não pensa nem ensina isso. É triste falar do que não se entende! A Igreja ? e não somente ela, como o autor erradamente insinua ? é contra a manipulação de células-tronco embrionárias por vários e graves motivos. São motivos éticos e não somente religiosos. Há muitos não-católicos que são contrários a tais experimentos; há ateus que não concordam. Há outros meios de se obter células-tronco sem sacrificar embriões humanos. Por que não se diz isso? Neste pouco espaço quero somente afirmar que o texto em questão foi leviano, preconceituoso e unilateral nas suas afirmações contra a Igreja e no modo de abordar um tema tão grave. Esperava argumentos muito melhores de um advogado presidente de uma comissão de instituição como a OAB. (*) É sacerdote e professor de Teologia.