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Opinião

O Sert�o e o mar

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Todos os anos a cena se repete no Sertão e Semi-árido de Alagoas. As árvores se desfolham por completo e, até nas margens do Rio São Francisco, o verde se vai, o tempo seca, a terra racha. Mais que um prenúncio inquietante, é uma sentença terrível. Muitas vezes, a seca chega forte como nunca, frustrando a lavoura de subsistência do sertanejo, secando açudes e barragens, acabando com a pastagem nos campos e cerrados. A ironia é que este cenário cruel tem lugar em uma região banhada em grande parte pelo segundo maior rio do Brasil e um dos maiores do mundo. A saída para a seca alagoana, portanto, tinha de passar pelo Velho Chico. É o Canal do Sertão, que levará água, renda e desenvolvimento para 42 municípios das áreas mais sofridas de nosso Estado. O projeto já está sendo considerado uma das maiores e mais modernas obras de engenharia hídrica do mundo. Localizado ao longo do Sertão de Alagoas, o canal terá 240 km de extensão ? do tamanho do nosso litoral ? e começará por Delmiro Gouveia, passando por várias cidades até o povoado de Folha Miúda, em Arapiraca, no Agreste. Com o Canal do Sertão, vamos garantir a mais de 1,2 milhão de pessoas água tratada para o consumo humano, irrigação, produção de alimentos, viabilização da pecuária e aumento da oferta de alimentos na região com atividades como, por exemplo, a piscicultura. O Canal do Sertão é, sem dúvida, a única alternativa para a promoção do desenvolvimento sustentável do Sertão ao Agreste de Alagoas. O projeto foi lançado pelo governo do Estado em 1992 e está sendo implantado em parceria com o governo federal, através do Ministério da Integração Nacional. Hoje, é uma das prioridades do PAC ? Programa de Aceleração do Crescimento ?, com previsão de investimentos de mais de R$ 500 milhões até 2010 e, por isso, deve continuar recebendo prioridade na destinação de recursos. O ministro Geddel Vieira Lima e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitarão a obra e, como nordestinos que são, têm demonstrado enorme sensibilidade para a importância do canal e discutido comigo e com o governador Teotônio este e outros projetos para o Estado. Por tudo isso, a minha obsessão por este investimento estruturante que vai mudar parte do Sertão e do Agreste de Alagoas, gerando renda e emprego para muitas pessoas. É como a antiga profecia que falava do Sertão que vai virar mar. Com o Canal do Sertão, vai mesmo. (*) É senador pelo PMDB de Alagoas.

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