Opinião
Ideal e luz
A palavra escrita expressa em livros, jornais ou em tela de computadores, perpetua o pensamento. Na maioria das vezes, o leitor não conhece o escritor, mas estabelece com ele uma estreita relação de simpatia, empatia ou antipatia, conforme o conteúdo da mensagem que o texto transmite. Há alguns anos, um livro me impressionou: Ideal e Luz de Chiara Lubich; até então, um nome desconhecido para mim. Ela pregava a renovação dos valores do mundo contemporâneo através de uma saudável convivência humana, ecumênica, sem discriminações, sem fronteiras de religiões ou de credos, embasada na fraternidade, solidariedade, liberdade e fé. Daí em diante, eu tive notícias de sua participação afetiva e efetiva em centenas de reuniões. Convenci-me de que se tratava de uma pessoa extraordinária, carismática, que enfrentava uma luta sem tréguas na defesa dos postulados cristãos em que acreditava. Era uma voz que se fazia ouvir nas reuniões de jovens, nas assembléias religiosas, capelinhas humildes e catedrais suntuosas iluminadas por mil círios. Nascida no Norte da Itália, ali permaneceu durante o período crítico da segunda guerra mundial. Bombas destruidoras caíam em toda a região. Ruínas, escombros, mortes. No porão dos abrigos, ela e um grupo de companheiras, à luz de velas, liam o Evangelho e nele encontravam forças para resistir. Quando saíam de lá, era para socorrer os necessitados. Talvez, daí tenha nascido à idéia da criação de um movimento religioso social que pudesse reunir outros adeptos. Com uma força extraordinária, espiritualista, unificadora, surgiu o ?Movimento dos Focolares? que se expandiu em mais de 180 países. Segundo definição da própria Chiara: ?O Movimento dos Focolares possui uma dimensão comunitária acentuada. De fato, ele não é vivido apenas individualmente, mas por uma multiplicidade de pessoas. É inspirado, fundamentalmente, em princípios cristãos, pondo, em evidência, valores paralelos presentes em outros credos e culturas?. Sinto-me à vontade para homenagear Chiara Lubich, uma heroína do cotidiano, que desapareceu do mundo dos vivos. É preciso guardar a força de suas palavras que nos servirão de recordação e lenitivo, para quando o futuro for presente; para quando, este momento presente, for passado. A sociedade necessita de pessoas capazes de sonhar, que transformem seus sonhos em metas, com dignidade e coerência em seus atos, suas crenças e seus valores. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.