Opinião
Espa�os p�blicos
Muitos desacertos têm sido cometidos em nossa cidade quando ocupam espaços públicos com construções. São monumentos de duvidosas inspirações, bares e afins e, outras vezes, ampliações que descaracterizaram um passado e patrimônio que deveriam ser preservados. Uma ação correta foi à construção da nova sede do Executivo estadual. Preservaram o antigo Palácio dos Martírios ocupando-se toda uma quadra devidamente desapropriada com jardins, estacionamentos e edifício para funcionar como sede do governo, dando assim um visual bem mais atraente, amplo e funcional ao conjunto. Paradoxalmente, Maceió tenta ser uma cidade moderna ao tempo em que se deixa voltar à Idade Média, onde castelos e construções dos senhores feudais eram cercados por fortificações, fossos e pontes elevadiças. Nos anos 30, conheci a praça Dom Pedro II, ocupada pelo Tesouro Estadual, prédio afastado dos muros de fundo e laterais e, em frente, quatro pavilhões em forma poligonal que serviam como escola. Veio à redemocratização, a Assembléia Legislativa voltou a funcionar, as acomodações tornaram-se exíguas. Criou-se um anexo para a Fazenda Estadual e com o surgimento do Tribunal de Contas, um outro foi executado. São construídos nos anos 80 o palácio do Tribunal de Contas na Fernandes Lima e o edifício da Secretaria da Fazenda, na Cambona. Desafogam-se os espaços, mas aumenta a necessidade de ampliações face o crescente número de funcionários e gabinetes dos deputados. Elabora-se novo projeto da casa legislativa e dúvidas são levantadas quanto aos estudos das novas instalações. Seriam melhores em outro local? Foram feitas sondagens geotécnicas para reconhecimento do solo para fins de fundação? Ensaiaram os materiais dos muros de contenção? Sobrecargas estão surgindo no solo adjacente aos antigos muros e, conseqüentemente, os empuxos exercidos irão aumentar. É verdade que aplicaram cargas verticais com colunas sobre os muros, favorecendo o deslocamento da resultante dos esforços ao se aproximar do núcleo central das fundações, mas fica outra pergunta quanto ao suporte com o acréscimo de carga. Li que um imprevisto foi à causa da prorrogação de prazo para conclusão da obra da Assembléia com conseqüente aumento do preço final. Deseja-se que mais um imprevisto não venha transtornar o bom funcionamento da Casa de Tavares Bastos. (*) É engenheiro.