Opinião
Chamem o guarda Primo
Havia em Maceió na década de 70 um guarda civil ? assim eram chamados os policiais daqui ? de nome Primo, sempre destacado para a esquina da Praça Montepio na rua Barão de Penedo. Farda cáqui e quepe típico de autoridade, useiro do apito que não tirava da boca, e mímica charmosa, uma mão espalmada apontando em direção específica e outra indicando pressa aos motoristas que por ali trafegavam, fazendo fluir com rapidez o ainda incipiente trânsito local. Esbanjava simpatia e cordialidade não se furtando de cumprimentar conhecidos com um balançar de cabeça ou meio sorriso para não deixar o apito cair. Dias atuais, um trânsito infernal aqui se desenvolveu sem nenhuma vinculação com obras dos viadutos em implantação com trinta anos de atraso, mas sim fruto da desordem de uma sociedade tribal aculturada sabe-se lá de que modo, desrespeitosa para com seus pares sejam eles motoristas também, pedestres, ambulantes, catadores de papel, ciclistas, motoqueiros e pilotos de carroças de tração animal e humana ? pasmem, ainda existem ? que livremente circulam em Maceió de preferência na contramão de ruas estreitas projetadas para charretes e coches da era imperial. Caminhões trafegam pelas ruas em horas impróprias sem controle de carga e descarga ? vide Bompreço da Rua Barão de Atalaia, Imperador, Beco do Moeda e outros ? estrangulando o tráfego sem esquecer os táxis e carrões de novos ricos, taturânicos, ou não, que tudo podem, param onde querem e fazem o que bem entendem gerando um caos desgastante, nos enraivando e levando a maioria a resmungar temendo ser agredido se protestar, e outros a xingar as pobres mães inocentes cujo único pecado foi a parição desses ignaros condutores de veículos que se julgam donos do mundo. Calçadas ocupadas por ambulantes e suas traquitandas, pedestres transitando no meio de ruas ou as cruzando fora das faixas específicas, policiais ausentes e quando presentes conseguindo o impossível, piorar o trânsito já em ponto morto fruto de semáforos inteligentes e motoristas burros. Que saudade dos guardas civis que para isso tinham inerente vocação e foram substituídos por muitos que hoje são policiais como meio de sobrevivência. Chamem o guarda Primo para ensinar-lhes o que é elegância e arte no ordenamento do trânsito e espero que ele ainda viva, pois se morto está no Céu enquanto Maceió virou inferno, destino por todos desejado, também aos vendedores do famigerado picolé caicó! (*) É engenheiro e consultor.