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Opinião

O compadrio vergonhoso

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Uma expectativa muito favorável cercou a cerimônia de posse do novo secretário Paulo Rubim, quando, contudo os mais reverenciados foram os desembargadores Sapucaia, Holanda, Estácio Gama e o procurador Coaracy da Fonseca. Configurou-se um ambiente extremamente salutar: a admiração e a reverência da sociedade a ilustres membros da Justiça que tem cumprido o seu dever com o Estado e com a cidadania. Quando no futuro este momento tenebroso que Alagoas vive, for avaliado pelos nossos descendentes, será muito difícil eles entenderem por que algumas das nossas instituições, que deveriam ser modelo exemplar para a sociedade; as primeiras a zelar pela prática dos bons costumes e as guardiãs maiores dos interesses da comunidade, não puderam marchar unidas nesta batalha pela sobrevivência da civilidade na nossa sociedade. Será difícil compreender a suspeição de fração relevante de membros do TJ para julgar um grupo de deputados suspeitos de praticar as irregularidades denunciadas pela PF ? uma historicamente incompreensível capitis deminutio. Com rigor muito maior se julgará o Tribunal de Contas, que no mínimo será cobrado por sua suspeitíssima omissão neste e em muitos outros casos de malversação de recursos públicos no Estado. Ainda para enrijecer o julgamento severo que as futuras gerações farão de algumas de nossas autoridades, que não puderam neste momento estar ao lado da sociedade nesta dura batalha, estará o clima de violência e crime organizado hoje reinante no Estado, que tem vários parlamentares citados como envolvidos. Daí, a determinação do novo secretário de retirar de circulação todas as armas de fogo irregulares é fundamental para devolver a sociedade um mínimo de tranqüilidade. A solução definitiva desta situação, aqui, passa inevitavelmente pela questão política irresolvida. Insidiosamente medrando está o tráfico de influências, o nepotismo, os privilégios do compadrio, em detrimento da qualidade, do mérito e do trabalho das pessoas. A. da Silva Melo afirmava se tratar o compadrio de autêntica instituição nacional, que levaria o Brasil à beira do abismo, porque eivado de individualismos, proteções, abraços e intimidades suspeitas. Este compadrio, culturalmente, fortemente enraizado no Estado, é certamente uma das maiores causas do atraso de Alagoas, que agora tem a oportunidade de avançar também neste sentido: dando espaço para quem tiver mérito pessoal, trabalhe duro e sério e seja honesto. (*) É médico e professor da Uncisal.

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