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Sim, a caixa de Pandora!

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| AGATÂNGELO VASCONCELOS * Em imagem das mais felizes, o delegado Sandro Augusto dos Santos, assessor de Comunicação da Polícia Federal, comparou as constatações que vêm sendo reveladas quanto ao funcionamento anômalo da Assembléia Legislativa de Alagoas, à caixa de Pandora. Excelente a analogia; mas, quem foi Pandora e a que caixa refere-se a expressão? Recordemos sucintamente: Pandora era uma mulher, criada à imagem dos deuses do Olimpo, destinada por Zeus para castigar a espécie humana. Levada pela curiosidade abre uma caixa onde estavam contidos todos os males; estes, assim libertos, espalharam-se sobre os humanos. Para o nosso consolo e paradoxalmente, dentro da caixa restou a esperança. Muito adequada, portanto, a alusão do delegado. De fato, muito nos molesta e até certo ponto nos surpreende o que se anuncia como resultado das investigações denominadas de Operação Taturana. Quem dentre nós, alagoanos ou habitantes deste amorável Estado, não fica constrangido ante a exposição de tantas condutas desonestas e de tanta desfaçatez? São assim, ai de nós, os nossos representantes? E surpreendemo-nos, pois embora de há muito soubéssemos que os nossos políticos, geralmente, não são flores que se cheirem, estão distantes de ser inocentes crianças, a extensão das ações delituosas praticadas pela quase totalidade dos deputados da Casa de Tavares Bastos, causam-nos justificado espanto. E quanto aviltamento à memória de patrono tão ilustre! Consideramos que os indiciados não agiam desvinculados de toda uma estrutura social, cultural e econômica, plenos da convicção de que permaneceriam impunes para sempre. Certamente há funcionários públicos coniventes (por corrupção?), há partidos políticos absolutamente emudecidos até o surgimento do escândalo (por acomodação e interesses eleitoreiros?), há lideranças sindicais omissas (por amedrontamento?), há mecanismos controladores não acionados e órgãos fiscalizadores omissos há décadas, sabe-se lá por quais razões. O fato é que toda esta leniência não surgiu por acaso, não brotou do nada, mas sim de um conluio que engloba diversos setores da nossa estrutura social. Existe uma ampla e complexa rede de interesses pessoais, familiares, institucionais e oligárquicos, constituindo um compadrio solerte e malévolo estratificado desde as raízes da sociedade alagoana: faça e deixe-me fazer. Tendo a minha parte no butim, pouco se me dá que tenha a sua do tamanho da sua importância no nosso complô. Nada vejo, nada ouço, nada falo. Agora parece ser a hora da purgação do monstro gerado em nosso meio. (*) É médico e professor.

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