Opinião
Ano Paulino: no caminho da santidade
| DOM ANTONIO MUNIZ * Necessitamos de chegar àquele nível de convicção que nos faz proclamar: ?Para mim não há alternativa senão crer em Deus, porque eu experimentei sua graça e seu poder na fragilidade de minha vida por ele tudo foi considerado lixo. Ele é a única razão da minha existência? e a força que dá a consistência à minha vida e ao ministério que assumi. Qual seria a resposta mais sincera que daríamos a uma pergunta fundamental que sempre devemos nos fazer: por que abracei a vida sacerdotal? Se silenciarmos, e deixarmos que a pergunta ecoe no mais profundo de nosso coração, talvez a resposta não seja aquela que daríamos de forma repentina. É preciso que repitamos esta pergunta mais e mais, com uma intensidade sempre mais forte, para arrancarmos a resposta mais sincera. Nunca podemos nos contentar com a primeira pergunta, nem tampouco com a primeira resposta, pois ela pode atingir somente a superfície de nossa vida. Lembremo-nos de Pedro, quando indagado pelo Senhor sobre seu amor. Repentinamente ele responde um sim bem grande, porém não sincero o suficiente para ser confirmado na missão (Jo. 21,15-19). Sua resposta ainda estava carregada de confiança em si mesmo. Jesus intensifica a pergunta e, podemos até imaginar o nível de intensidade até atingir a alma de Pedro e ele, quebrando todas as resistências interiores pôde perceber as próprias fragilidade e sua total dependência em Jesus e, assim, conseguiu abrir o coração da forma mais sincera. Jesus quer a confirmação do amor de Pedro não na dimensão do sentimento ?filia?, mas na mais profunda expressão da caridade ?ágape? que implica a doação plena até ao sacrifício da própria existência. Ainda que admita o momento de Pedro, Jesus não deixa de apontar o fim para o qual tende aquele que adere ao seu amor plenamente. ?Quando tu eras moço, cingias-te e ias aonde desejavas, mas quando fores velho, estenderás tuas mãos e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queres? (Jo 21,18). A motivação de nossa escolha deve estar marcada e cadenciada por este movimento de amor que tem Deus como fonte. Nossa vocação ao serviço ministerial é confirmada com nossa entrega quotidiana e sem reserva ao Senhor que nos amou e chamou à fazer do nosso ministério o chão para o exercício da santidade. Somente a partir do encontro com esta fonte mais profunda que está na raiz de todas as nossas motivações, nós começamos a perceber a necessidade da eleição quotidiana de valores e atitudes que norteiam o caminho para a meta que é nossa configuração com aquele que nos amou e nos chamou, a ponto de nos transformarmos em testemunhas na Igreja e para a Igreja. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.