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Somos seres festivos

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O ser humano não somente é alguém que pensa e trabalha, senão também que imagina e procura celebrações festivas. Festa é o prazer que se gusta nas coisas elementares: na ação bem feita, no pensamento bem expresso, na beleza que se acaba de ver, na relação de intimidade, na imaginação, criando novos sonhos, no corpo jovial ou bem cuidado que saracoteia, no ritmo da música. Ross Sayder afirma que ?fazer festa é apreciar as possibilidades escondidas nos refolhos da vida, mesmo tendo consciência de todo o mal e frustrações existentes que podemos despertar em nossa potencialidade interior?. Harvey Cox em um dos seus livros declarava: ?o homem é um ser que canta, dança, reza, conta história e festeja suas vitórias, seus sonhos?. Jesus sempre que falava do Reino comparava-o a um banquete festivo. E foi numa festa de casamento que operou seu primeiro milagre, transformando água em saboroso vinho. O sentimento de festa não deixa de ser um movimento ?ad intra?, que brota do interior do ser humano. O impacto do progresso parece ter rompido o equilíbrio entre o racional e o irracional, a ponto de o ser humano ter reduzido muito sua capacidade de festa, de descobrir o sentido sagrado do rei Davi, bailando, publicamente, com vestes íntimas, em louvor a Jahvé. As celebrações dominicais, os festivais, as festas de aniversários, de padroeiros das paróquias... são ocasiões especiais em que homens e mulheres procuram relaxar o corpo e alegrar o espírito. São momentos de festiva comunicação que despertam o mais puro sentimento de empatia. Assim aconteceu a Levi ? mais tarde Mateus ? quando foi convidado por Jesus para segui-lo: ofereceu um banquete para lembrar a todos a alegria de que estava possuído. Em Zorba, o grego, encontramos a alegria deste epicurista em transmitir a alegria de dançar a seu mestre. Zorba, de logo, pulou nos ares e seus braços pareciam ter criado asas. Assim, Mateus com seu banquete, e Zorba dançando, revelam o instinto de festa que reside no recôndito de todo ser humano. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e membro da Academia Alagoana de Letras.

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