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Condom�nio Terra

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| ÁLVARO MENEZES * Para muitos ambientalistas e estudiosos do meio ambiente e suas relações socioeconômicas, a Terra devia ser tratada como um condomínio. Na verdade, o raciocínio se aplicaria melhor se o lugar Terra pudesse ser dividido em condomínios. Por exemplo: os continentes e suas características ambientais, populacionais, políticas, sociais e econômicas seriam os nossos condomínios, com regras, áreas comuns, áreas individuais e controle financeiro como os condomínios hoje existentes na Terra. Teriam autonomia para, dentro de suas fronteiras, realizarem todo o processo de sustentabilidade e seriam fiscalizados pelos moradores ? condôminos ? por meio de seus representantes devidamente eleitos. Se já não existem os condomínios Terra, ou não se sabe o seu significado ou estamos a um passo de atender ao apelo dos ambientalistas. Olhando para os continentes como eles são hoje não há dúvidas que os países, com seus governos, senados, câmaras e outras classes de representação específica, podem ser denominados também de condomínios. Verificando com brevidade o que acontece na área ambiental em continentes como o asiático e o europeu, se vê com clareza que os condomínios Japão e Munique, por exemplo, dão há muitos anos mostras de zelo para com o meio ambiente, a gestão de recursos hídricos e o saneamento, enquanto a China e a Polônia são potenciais e reais causadores de desastres ambientais. Na América do Sul, o condomínio Brasil segue entre idas e vindas na gestão do meio ambiente graças à indefinição do governo federal que, pretendendo tornar-se eterno, não decide de que lado está ? se do lado dos destruidores oportunistas ou dos empreendedores responsáveis; na área de recursos hídricos, pensa que a transposição das águas do São Francisco é um exemplo de gestão. Na área de saneamento, fez do PAC sua mentira sincera para dar a impressão de que gastar dinheiro e investir racionalmente são a mesma coisa. Os países que conseguiram em seus continentes implantar um sistema condominial de gestão do meio ambiente e de recursos hídricos devem muito disso a seu povo e à educação que eles têm, o que lhes possibilita escolher ?síndicos e conselheiros? sérios, capazes, responsáveis, competentes e zelosos para com os recursos arrecadados no ?condomínio?, não permitindo que o bem e o interesse comuns sejam superados pelo interesse partidário ou pessoal na gestão do que é público. (*) É engenheiro civil e diretor comercial da Casal.

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