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| JOSÉ MEDEIROS * Quando pensamos em leitura é muito comum que nos venha à cabeça a idéia do livro, da revista, do jornal; afinal lemos as palavras. No entanto, a leitura não é restrita, ao contrário, ela está sempre na perspectiva da amplitude, pois ao sairmos do texto escrito continuamos lendo, só que, desta vez, num enfoque pessoal, os fatos e os acontecimentos da vida e do mundo. O acesso ao livro, porém, assim como as diversas formas de leitura textual, deve ser assegurado a todos, sem exceção, pois é a partir dele que conquistamos o direito a ler com outra visão, já que a leitura colabora decisivamente para que nos tornemos verdadeiros cidadãos conscientes e livres. Comparativamente com outros países com menos destaque que o nosso, abalam-nos nossos pobres índices de leitura e interpretação. Não é à toa que, no Brasil, vivemos a triste realidade de uma cidadania pouco respeitada. Os números apontam que, apenas, um entre quatro habitantes está habilitado para a prática da leitura em sua plenitude, ou seja, como meio de conhecimento, entretenimento, desenvolvimento pessoal e profissional. Uma estatística que muito nos entristece: o índice de leitura do brasileiro é de 0,8 livro por ano; na França são 7 livros por habitante e, nos Estados Unidos, 12. No ano em que são comemorados os 200 anos de criação da indústria do livro em nosso País, com a instalação da primeira tipografia e editora ? a Impressão Régia ? é urgente que nos tornemos uma nação de cidadãos leitores. Se, no futuro, a educação e a cultura chegarem a ser áreas estratégicas no projeto de desenvolvimento brasileiro, então, não existirá outro caminho: a leitura deve ser tratada com absoluta prioridade. Aliás, como bem expõe a ?Carta do povo? do livro Manifesto sobre o direito à leitura: ?A leitura gera condições para decodificar, interpretar, compreender e se fazer entendido... O ato de ler nos credencia a buscar maior participação social e política e a exercer nossa cidadania em plenitude?. A questão do livro e da leitura deve tornar-se uma política pública efetiva, capaz de garantir as condições de acesso à leitura e ao livro, pois, sem isso, jamais alcançaremos as condições para o enfrentamento da violência, da pobreza e das diversas injustiças sociais. Um ?slogan? que nunca perde a atualidade: ?Quem não lê, mal fala, mal ouve, mal vê?. (*) É médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde.

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