Opinião
Crise americana
| VINICIUS MAIA NOBRE * Recebi e-mail de um amigo onde manifestou suas preocupações com a economia americana, cujos reflexos ameaçam todas as economias do mundo globalizado. Anexou um artigo publicado no ?New York Times? de Paul Krugman, que entre outros argumentos recordava a crise dos anos trinta. ?A crise financeira em curso é basicamente uma versão atualizada das corridas aos bancos que varreram a nação (Estados Unidos) três gerações atrás. As pessoas estão tirando dinheiro dos bancos para guardar no colchão, mas fazem o equivalente moderno disso, transferindo fundos do sistema bancário paralelo para títulos do Tesouro. E o resultado , agora como então, é um círculo vicioso de contração financeira?. O articulista lembrou que sempre esquecemos as lições da história. Diante de tantas incertezas indagou-me o amigo o que fazer com a sua poupança. Respondi-lhe, citando que até o Lula, está receoso a ponto de ter afirmado em Recife, que ligou duas vezes para o presidente norte-americano George W. Bush para tratar da crise, pois soube que o colega havia se chateado com as declarações do presidente brasileiro: ?Eu liguei para ele para falar: Bush, o problema é o seguinte, meu filho, nós ficamos 26 anos sem crescer. Agora que a gente está crescendo vocês vêm atrapalhar, pô! Resolve, resolve a tua crise?. Arrematou Lula sugerindo também ao colega americano o know-how brasileiro para socorrer bancos pré-falidos, o conhecido Proer. O Brasil, apesar de não-imune à crise que bate às portas, sempre terá uma condição peculiar: tem comida e, atualmente, é quase auto-suficiente em petróleo. O problema, todavia, está na gestão da crise por ?mãos? nada ortodoxas quando (e se) a ?coisa? pegar para valer... Temos um caldeirão social ainda bastante problemático e uma falta de infra-estrutura básica (geração de energia elétrica, ferrovias, rodovias, portos, transportes público, habitação, saneamento básico, epidemias tropicais sérias, etc, etc) que nos imunize. Grande parte de nossos políticos, além de muito populistas, demonstram serem também corruptos. Se fossemos uma nação com um povo um pouquinho mais sério a crise mundial atual se tornaria em nossa verdadeira chance de revelar ao mundo o ?berço esplêndido? que cantamos no hino nacional (não se esquecer: estamos ?deitados eternamente nele?). Infelizmente ainda não saímos da cama, precisamos acordar... Quanto à situação pessoal de poupanças sugeri rezarmos um pouco mais! (*) É engenheiro. ([email protected])