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A vida � bela?

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| Anilda Leão * Estamos assistindo, estarrecidos, ao avanço da violência em quase todo o mundo. Violência de todas as espécies, seja a praticada pelo homem contra o seu próprio semelhante, seja aquela provinda de fenômenos da própria natureza. Bandidos, marginais, aqui mesmo em nossa cidade, impedem o sagrado direito de ir e vir, invadem nossa privacidade através dos programas sensacionalistas da TV, enchem de amargura a vida daqueles que perdem os seus entes queridos das maneiras mais estúpidas. O pior de tudo é que com a polícia despreparada, desaparelhada, os casos vão se acumulando através do tempo. Agora mesmo estamos assistindo à moda do rodízio de delegados nos inquéritos mais rumorosos. E os tantos casos em que as vítimas são pobres criaturas que tiveram a má sorte de cruzar com pessoas endinheiradas e de péssima índole? E a justiça? A jornalista Cláudia Lins, em seu livro A máfia dos inocentes, expõe de maneira objetiva o que acontece nos meandros dessa instituição que deveria ser o verdadeiro baluarte dos nossos direitos de cidadãos. E a impunidade vira regra. Adolescentes, principalmente, são as maiores vítimas da violência. De rixas entre amigos a assaltos e seqüestros. E aqui nos permitimos perguntar: a vida é bela? Em filme que leva esse título, um pai faz tudo para que o filho não perceba que a família está encerrada no mais cruel dos campos de extermínio e o mundo mergulhado na mais terrível das guerras, comandada pelo celerado, pelo psicopata, o amaldiçoado Adolf Hitler. E o menino, ao final da história, pensa que apenas participou de um jogo no qual se saiu vencedor. Será que as famílias que perderam suas pessoas queridas de modo trágico e cruel conseguirão continuar achando a vida bela? E aqui eu penso de modo muito especial em meus amigos Otávio e Belmira, privados de modo violento e vil do convívio do seu querido filho Guilherme, jovem de 23 anos. Não, meus amigos, seja qual for o nosso tipo de sofrimento, espiritual ou físico, não devemos negar a nossa fé naquela força maior que nos criou e nos conduz, que é Deus. Chore, Belmira, exponha a todos nós o seu sofrimento e a sua revolta com o mundo e com os homens que lhe tiraram o que de mais sagrado você deu a esse mundo e a esses homens: a vida de seu filho. E que você, Otávio, em sua imensa dor de pai obrigado ao pior dos deveres que é sepultar um filho, continue em seu belo ofício de poeta, celebrando a vida. O tempo não fará com que esqueçamos, mas com certeza amenizará a nossa dor. (*) É escritora, poeta e atriz.

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