Opinião
Eletrochoques

De uma forma ou de outra, o consumidor brasileiro termina pagando caro pela pobreza de idéias e iniciativas do governo federal. Na questão da energia elétrica, o descaso da equipe FHC continua sendo caso de dor de cabeça para milhões de brasileiros. Quando não é escassez de energia é excesso de preço. O fato é que a eletricidade está saindo cara para o consumidor doméstico e para o usuário industrial. O mais recente choque foi anunciado ontem, aplicado contra os consumidores paulistas, que amanhecem hoje pagando mais 14,24% por cada quilowatt usado. Engana-se quem supor ser esse um problema restrito aos paulistas. Nesse primeiro momento, as vítimas são 4,7 milhões de consumidores cadastrados pela Eletropaulo em 24 municípios localizados na região metropolitana da Capital do Estado de São Paulo. No momento seguinte, é certo que golpes desse tipo sejam distribuídos por outras regiões. Como prova disso, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), numa outra canetada ? no mesmo dia de ontem ? assinou embaixo de uma determinação de aumento do preço da energia elétrica contra o Estado do Tocantins. Os 230 mil usuários inscritos na Companhia de Energia Elétrica do Estado do Tocantins ? a partir de hoje ? pagam sua eletricidade com um aumento de 13,51%. Alagoas e o Nordeste têm vivido a crise da energia elétrica com até mais dramaticidade em função de esse problema somar-se ao drama do Rio São Francisco, fonte de alimentação das centrais hidrelétricas da região. Apesar de ser óbvia ululante a necessidade e urgência da revitalização do Rio São Francisco, o governo FHC não vai além de dar nova vida a declarações ocas de conteúdo e de recursos materiais. E os problemas vão se agravando, desde a natureza (onde os lagos que alimentam as represas continuam à mercê do acaso das chuvas) até a desatenção para com as empresas de energia elétrica ? esvaziadas, em processo de ?piratização?. Enquanto se discutem as questões do risco-Brasil como tema de especulação financeira e política, o País vai sendo mergulhado no risco real. O desplanejamento no estratégico setor energético é um dos sintomas desse abandono. A proliferação dos aumentos do preço da energia, ao atender as necessidades imediatas de caixa das empresas, mascara a falta de investimentos. E o risco de um choque estratégico nesse setor continua sendo tão real quanto perigoso.