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Opinião

O superbordel

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| MARCOS DAVI MELO * Na década de 70, um grupo de empresários atraídos pelos 5 bilhões de dólares deixados anualmente em Manhattan pelos 16 milhões de turistas, resolveu transformar os tradicionais Banhos Luxor, reduto de encontros de homossexuais, situado na 46 W, Nº 12, em uma supercasa de massagens, que deveria proporcionar prazeres extras aos mais salientes. A criação deste superbordel levou a uma cruenta batalha entre a prefeitura e os empresários: políticos e clero defendendo a moral e os bons costumes contra empresários defendendo a livre iniciativa; foi criada a Comissão Coordenadora do Respeito à Lei do Centro da Cidade de Nova Iorque, composta por proeminentes e indignados cidadãos e lideranças religiosas, que em cruzada cívica e moralizadora, encabeçaram aquela Guerra Santa contra a prostituição e o crime. Investigações posteriores revelaram que o proprietário do edifício que deveria se transformar em um superbordel era um dos membros mais eminentes da ?Cruzada Moralizadora?, criada pelo prefeito para extirpar do Centro ? e, se possível da cidade inteira ? essas casas de tolerância mal disfarçadas. Depois de muita exaltação pública, muita polêmica jurídica, o tal membro da comissão se demitiu, o clero se acalmou, os Banhos Luxor retomaram suas antigas funções e o crime organizado prosseguiu o seu caminho, abrindo ?clínicas? na base do cartão de crédito em outros bairros de Manhattan. Paralelamente, na Broadway, estreava o musical The Best Little Whorehouse in Texas ( O Melhor Pequeno Bordel do Texas ), que obteve um estrondoso e prolongado sucesso. Em Manhattan as coisas se acomodaram nesta conturbada questão que é a exploração da prostituição. Recentemente, uma brasileira, Andréia Schwarz, que tinha muitas amigas filles de joie, foi extraditada após envolvimento na renúncia do governador de Nova Iorque, que ao que se sabe ? pagava de seu próprio bolso pelos favores sexuais que recebia. Historicamente a exploração da prostituição está repleta de bizarrices, mas não se tem notícia de que uma cafetina tenha laborado dentro de alguma instituição pública, mesmo nos países mais ricos e liberais como a Holanda. Alagoas é um dos Estados mais pobres do País,onde a miséria e a ignorância campeiam, e é injustificável sobre todos os aspectos que cada centavo não seja aplicado da melhor forma possível. O que flagrantemente não vinha acontecendo na ALE, cuja redução de seu duodécimo é um clamor público, cuja resistência só faz aumentar a indignação e a repulsa da comunidade contra os seus membros. (*) É médico e professor da Uncisal.

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