loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Viol�ncia contra as crian�as

Ouvir
Compartilhar

| MILTON HÊNIO * Ficamos admirados e preocupados com a situação atual da violência contra as crianças brasileiras. O pior é que a violência sempre escolhe os mais fracos como suas maiores vítimas: as mulheres, os velhos e as crianças. Uma menina de cinco anos é jogada do sexto andar de um edifício em São Paulo; outra tem sua língua cortada e dedos triturados por uma patroa psicopata; mais outra com dois anos é violentada sexualmente e um menino de cinco anos é queimado com ferro em brasa, usado para ferrar animais. Os dados estatísticos sobre a violência contra as crianças no Brasil ? são gritantes. As Unidades de Emergência em quase todas as capitais brasileiras notificam a grande incidência de crianças queimadas, torturadas, espancadas e vítimas de abusos sexuais por padrastos e parentes que convivem com elas. É inacreditável o volume desses casos e o número de pessoas psicopatas incuráveis que vivem entre nós. Temos no Brasil perto de 30 milhões de crianças abandonadas. Cada uma com a sua história. São frutos da miséria, de pais separados, da tentativa de sobrevivência. E o pior, se perdem; as meninas se prostituem e os adolescentes tomam drogas e se tornam delinqüentes, na maioria das vezes. Essa violência contra as crianças hoje, tornou-se preocupante, porém ela sempre existiu em todos os tempos. O nascimento de Jesus foi marcado pela matança de crianças ordenada por Herodes. Na Fenícia, há séculos, o sangue das crianças era espalhado pelos campos para propiciar boas colheitas; na Roma antiga, os pais tinham o direito de abandonar o filho caso não gostasse dele, para que morresse de frio ou fosse devorado pelos lobos. A Declaração Universal dos Direitos da Criança e o Estatuto da Criança e do Adolescente, são formas jurídicas que temos para proteger a criança e o adolescente. Com eles já caminhamos muito, mas ainda temos muita estrada pela frente. A criança marginalizada é uma conseqüência da distorção diante do estágio social do mundo, do atropelo entre os homens em busca de um lugar ao sol. Sem estímulos para superarem a si mesmas, transformam-se as crianças e os adolescentes que perambulam pelas ruas, numa geração perdida dentro da vida, criando para si uma visão unilateral da existência. Quando iremos resgatar nossa culpa? Que desapareça em breve esse terrível pesadelo social que é a criança na rua, abandonada, fruto da miséria, dos pais, da sociedade e dos governantes. (*) É médico ([email protected])

Relacionadas