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Aposentado sofredor: um pleonasmo

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| SÉRGIO COSTA * Os preços das mercadorias subiram acima da inflação. As aposentadorias de valores iguais ao salário mínimo tiveram um aumento de 8,5%. Mas o governo, utilizando o ridículo argumento de não quebrar a previdência, só vai reajustar os demais beneficiários do INSS em apenas 5%. Esse reajuste não recupera o poder de compra. Pior: nesse ritmo, enquanto o valor das aposentadorias vai descendo os degraus do padrão de vida, o dos produtos e serviços vai subindo. Um belo dia, e só no âmbito do Inss, ocorrerá a materialização deformada do sonho de Marx. Ou seja, todos os aposentados do INSS entrarão na fila ?holocáustica? que os levará a uma única classe, a dos miseráveis! Não há dúvida de que a nossa sociedade está sendo dirigida por déspotas travestidos de socialistas. Subtrai-se direitos de uma classe de contribuintes, não para reduzir o déficit previdenciário, que continua crescendo, mas pelo prazer de causar sofrimento. De fato, quando o corpo já exausto da labuta exige o inadiável descanso, o homem pára de trabalhar. Prepara-se, então, para vestir a bermuda e ler os livros que guardou para esse momento. Sonha preparando malas para viajar com a família. Vê-se criança curtindo os netos. Aí se dá conta de que os ventos da insensatez varreram seus projetos para lugares inóspitos. É que o valor da achatada aposentadoria não consegue honrar seus compromissos. Não paga o seu e o plano de saúde da sua mulher. Não paga os remédios controlados, a enfermeira, o condomínio. Não paga enfim, um final de vida com dignidade. Sem enxergar luz no fim de túnel, esse homem inicia a dolorosa fase do despojo. Depois de zerar a poupança e transferir para as classes mais abastadas os bens que ficariam para os filhos, vê que a vida não valeu a pena. A depressão é inevitável. Vem a desesperança, a solidão, o silêncio sepulcral. Às vezes me pergunto: por que os que fazem e os que exigem a aplicação das leis não estão nem aí com essa situação degradante? E me respondo: porque suas aposentadorias são regidas por um sistema jurídico diferenciado e altamente compensador. Dois pesos, duas medidas. A humilhação porque passam os nossos aposentados enseja uma ação por danos morais, não contra o Estado, ser abstrato que não tem remorso nem sente dor, mas contra os signatários do crime. Enquanto essa idéia de justiça amadurece, perguntamos aos representantes do povo: o que fazer para minimizar tanto sofrimento? Só não vale sugerir tomar veneno, seria um baita de um pleonasmo! (*) É contador.

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