Opinião
Ditadura da beleza
| JOSÉ MEDEIROS * Beleza é mesmo fundamental? Quando recorremos ao poeta Vinicius de Morais, a resposta para essa pergunta é sim, um sim absoluto. Em seus poemas, o artista descreve a beleza como algo necessário e indispensável à própria vida. Desde o princípio dos tempos, as pessoas procuraram alcançar o ápice da beleza por meio de estratégias diferentes. No Egito, Cleópatra foi modelo e símbolo das maquiagens e pinturas. Apesar de as mulheres ainda liderarem o ?ranking? nessa busca, os homens engrossam cada vez mais a lista dos interessados na perfeição estética. Muitos especialistas apontam para o fato de que um corpo considerado perfeito nem sempre é sinal de saúde; aparências enganam. Por sua vez, variam os traços ideais do rosto tidos como expressão de beleza. Para muitas, ser magra, esbelta, ter lábios carnudos, cabelos coloridos, cílios longos e olhos delineados, entre outros requisitos, são regras de beleza; ou, no caso de homens, abdômen malhado nas academias, peito depilado, sobrancelhas feitas, definem a possibilidade de auto-estima para eles e agrado para elas. Vejam lá! Se esses enfoques fossem normas gerais, como ficaria o restante da humanidade? A cosmetologia tem crescido, exageradamente, nas últimas décadas. Até, uns tantos anos atrás, nem imaginávamos que existiriam tantas profissões voltadas exclusivamente para o aperfeiçoamento de componentes da beleza. Agora, tornaram-se comuns não-somente a medicina estética, em nível superior, mas outros cursos de nível médio que formam profissionais responsáveis pelo embelezamento do corpo, cabelo, unhas e tudo o mais. Multiplicaram-se as academias. Em relação ao cabelo, há adolescentes e adultas que passam de quatro a cinco horas semanais nos salões especializados. Que as pessoas devam sentir-se bem, amenizando os sinais do tempo, corrigindo imperfeições, ajustando formas corporais, são direito saudável e reconhecido. Os tratamentos estéticos e as técnicas da moderna cirurgia plástica estão aí para serem usados de forma responsável. No entanto, há conceitos distorcidos de beleza que levam pessoas a tomarem atitudes impensadas, com conseqüências, por vezes, desastrosas. ?Quem ama o feio, bonito lhe parece?, diziam sabiamente nossas avós. Tudo depende dos olhos de quem vê. Há sempre uma química invisível que determina atrações e relacionamentos. Fatores espirituais e mentais são considerados por muitos prioridade na escolha de parceiros. O conceito de beleza é tão subjetivo, que jamais haverá um consenso nesse assunto; cada um se encanta e se apaixona pelo que acha importante de acordo com sua escala de valores. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.