Opinião
Esperan�a, finalmente
| ANILDA LEÃO * Finalmente a esperança renasce no coração dos alagoanos e passamos a acreditar que nem tudo está perdido, nesses tempos em que vivemos. Primeiro tivemos a sentença do nosso confrade de Academia de Letras, o desembargador Antônio Sapucaia, com sua atitude enérgica e justa na verdadeira acepção da palavra. E agora fico sabendo pela imprensa que o governador Teotonio Vilela Filho, com todo apoio do presidente Lula, está podendo dar ao nosso Estado e ao povo da nossa terra, uma esperança de dias melhores, certos de que a bandidagem ? em todos os níveis ? vai ter que pensar muito antes de voltar a cometer os seus malefícios. Por outro lado, não podemos nos descuidar do que anda acontecendo na Assembléia Legislativa, com a insensibilidade da absoluta maioria dos que a compõem, quase todos levados até lá pelos votos comprados, transformando aquela que seria a Casa do Povo num grande balcão de negócios. Esses pisam nos que passam fome e nas necessidades dos que quase nada têm, nem saúde, nem educação nem segurança. Agarrados aos altos subsídios que lhes abarrotam os cofres e as contas bancárias, com os estômagos fartos e as famílias bem nutridas, muitas vezes fazendo de quase toda a parentela clientes privilegiados das ?benesses? do poder, zombam na cara dos que realmente trabalham em troca de seus parcos salários e contribuem para que nossa Alagoas não sucumba e despenque de vez no buraco negro dos índices sociais. Contrastando com a farra do dinheiro público, só quem é cego não vê o crescimento do cortejo dos miseráveis, das cidades de lona, dos que se servem do abrigo das marquises para passar uma noite mal-dormida por falta de teto. Apesar dos pesares, começamos a ter um pouco de esperança. As mudanças na área de segurança pública, as auditorias que começam a ser instaladas nos órgãos públicos mais visados, os investimentos do governo federal nas áreas mais problemáticas e até as parcerias entre Estado e prefeitura de Maceió em alguns setores sociais, nos levam a crer que as coisas começam a mudar para melhor. Até que enfim nem tudo é desgraça no reino das Alagoas. (*) É escritora.