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Opinião

O nefasto corporativismo

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| IVO WERNECK * Novidade? Não. Ele sempre existiu, mas não na freqüência que hoje observamos. Virou moda o corporativismo. Em nossos dias, existem associações de indivíduos em toda e qualquer atividade, que, desviando-se de seus princípios, agem dentro e fora da ética e moralidade, invadindo até, desavergonhadamente, o universo da legalidade. O homem deixou de se manifestar e de defender, individualmente e com coragem, suas idéias, e passou a esconder-se atrás de grupos, muitas vezes ferindo sua própria dignidade. Ressaltando e estimulando esse comportamento, a sociedade ainda em desenvolvimento, principalmente, se observada nos enfoques econômico e educacional, curva-se ante as manifestações daqueles que se acham e que ela própria os identifica, como ?superiores?, induzida por simples registro jurídico e um emblema. O corporativismo despreza totalmente o interesse público, visando apenas às vantagens para o próprio grupo. Exige respeito, reconhecimento, altos salários, etc, muitas vezes sem oferecer nada ou pouco em troca, quando não, um péssimo serviço. Ação típica de funcionalismo público, o ?corporativismo? não se observa no mundo empresarial. Alguém já soube de alguma associação de classe industrial ou comercial de natureza privada, sair em defesa de um membro, que foi, por exemplo, punido pelas autoridades públicas, pela não conformidade de seus produtos ou prática comercial? Quando, excepcionalmente, isso vier a acontecer, com certeza, o setor está, como um todo, aplicando práticas irregulares e/ou ilegais na população incauta. Característica, também, do ?corporativismo? são as ?notas de solidariedade?. Quando apontado pelos seus erros, o indivíduo que, porventura, pertença a uma associação ou entidade de classe qualquer, costuma ser, por sua diretoria e alguns de seus membros, intensamente defendido. Bajuladores e inocentes úteis, como sempre, igualmente, não faltam. Nesses casos, as notas oficiais pagas, amplamente divulgadas pela imprensa, são solidárias aos acusados, ou mesmo a outras entidades de procedimentos éticos duvidosos. Portanto, sejamos críticos ao depararmos na imprensa, sob qualquer forma de mídia, com essas ?notas de solidariedade? ou sob outra denominação de igual sentido. (*) É engenheiro eletricista e perito criminal .

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