Opinião
Sem educa��o, n�o h� solu��o
| RENAN CALHEIROS * Um dos maiores educadores que o País já teve foi o saudoso senador Darcy Ribeiro. Um homem muito à frente do seu tempo, ele defendia com ardor grandes soluções para os problemas nacionais. Inspirado nas experiências do nordestino Anísio Teixeira, que há mais de quatro décadas havia implantado a escola-parque, ele foi o autor de uma nova proposta de escola integral. Este tipo de ensino, com apoio amplo ao aluno, se destinava a ser não apenas o arcabouço físico e social de uma educação revolucionária no método e no conteúdo, mas uma aposta no futuro. Hoje, o projeto é realidade em vários recantos do País. No DF, o governador José Roberto Arruda criou a Secretaria Extraordinária para Educação Integral, ocupada pelo ex-ministro e deputado Alceni Guerra. O projeto de educação em tempo integral também foi adotado em Alagoas, nas escolas de Arapiraca, no ano passado, e é considerado uma das prioridades da gestão de Luciano Barbosa, um dos prefeitos mais bem avaliados do Estado. O ensino em tempo integral proporciona melhoria na freqüência e rendimento escolar, torna os alunos mais engajados na comunidade, diminui o tempo ocioso dos jovens e evita que possam ser cooptados pela marginalidade. Para especialistas, o ensino integral é uma ferramenta eficiente na melhoria do desempenho escolar dos alunos e também no combate ao trabalho infantil. Como a qualidade da educação tem início no ensino fundamental e uma vez que este é atribuição principalmente das prefeituras, é muito importante que neste ano de eleições municipais o tema faça parte dos debates. É nas praças públicas, nas farmácias de quarteirão, nos mercados municipais, nas estações rodoviárias e ferroviárias, onde quer que candidatos a vereadores e prefeitos estejam que a educação e o ensino integral devem ser discutidos com a população. Por isso tudo, gostaria de citar uma frase da grande pensadora e filósofa norte-americana, Hanna Arendt: ?A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável, não fosse a renovação e a vinda dos novos e dos jovens.? Vamos dar uma chance ao futuro, investir na formação de nossa juventude para termos, com certeza, um Brasil bem melhor. (*) É senador pelo PMDB de Alagoas.