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Quando os pais se separam

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| MILTON HÊNIO * Representam um verdadeiro impacto para toda criança a notícia da separação dos pais, em qualquer idade. Como médico pediatra, vejo no meu consultório toda semana filhos de pais separados, cuja separação está alterando o ritmo de vida daquele inocente. É que a criança é um ser de extrema sensibilidade e para ela os pais representam a perfeição, sua segurança, seu apoio. Antes da separação existem brigas, desacertos e a criança começa a sofrer porque o sentido de perda é terrível na vida da gente, quanto mais na de uma criança. As manifestações da resposta delas junto aos pais que se separam depende da idade. Vejamos: 1º ano ? a criança responde a essa separação com a perda de sono, irritabilidade e vômitos sem justificativas; de 2 a 3 anos ? os sintomas incluem ansiedade generalizada. Elas são instáveis e temerosas. Apresentam cenas temperamentais. As crianças são profundamente sensíveis ao humor dos pais; sentem profundamente a ausência do pai e da mãe entre elas; de 3 a 5 anos ? as crianças mais sabidas, procuram fugir na escola do contacto com os coleguinhas. São capazes de usar fantasias como mecanismos de defesa. Dependendo do temperamento, elas se tornam tímidas ou agressivas e exploram ao máximo o carinho dos avós com quem vivem, em geral; de 7 a 12 anos ? esse grupo mais desenvolvido já não usa a fantasia para dissimular o seu drama interior. A perda dos pais na vida diária representa um choque muito maior que em outras idades. Eles lutam demais para uma reconciliação dos pais, procurando passeios com eles, exigindo mais festas, idas ao cinema com os dois e assim por diante. Querem sempre a presença dos pais. Adolescência ? esse grupo continua a sentir raiva e a sofrer pela separação dos pais. É uma idade muito perigosa, porque eles tendem a se afastar da família e a se entrosar com os amigos na rua. Eles têm que ser guiados nessas amizades porque aí está o futuro de suas vidas e precisam de conselhos de alguém em quem eles confiem. O que fazer? Mesmo separados, os pais devem oferecer toda a cobertura afetiva aos filhos, devendo trabalhar juntos nesse sentido. Mesmo tendo os pais separados os filhos devem saber que continuam sendo amados. Isso é importantíssimo para sua caminhada na vida e realização pessoal. Do contrário, eles se decepcionam do mundo. Freud dizia que não existe na infância uma necessidade tão grande como a proteção dos pais. (*) É médico.

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