Opinião
O Par�clito e a revolu��o do inconsciente
| DOM FERNANDO IÓRIO * O Mestre de Nazaré prometeu enviar o Espírito Santo Paráclito para revelar tudo quanto havia ele ensinado e que se encontra no inconsciente. O dinamismo do inconsciente não é somente, como pensava Freud, um depósito de desejos reprimidos, mas, como opinava Jung, um sujeito real e pensante, componente essencial da vida individual, muito mais rico e amplo que o sujeito consciente. Gustar Schumaltz proclama a existência, no inconsciente, de uma energia dominante, autônoma, com caráter transpessoal. Lá, na substância do ser humano, há um sujeito que pensa ou medita, que atua em nós, como um ?eu?. É como um espírito criador que discerne, liga, coordena, resolve problemas e planeja. Dir-se-ia tratar-se de um modo de planejar a verdade, como se fosse a obra de um ser superior. Afirmava Sócrates possuir um gênio superior que o inspirava. Gandhi obedecia a uma voz superior. Paulo VI, em 1972, declarava: ?Cada ser humano tem, dentro de si, uma fonte própria, intuitiva, normativa?, e aqui, continua o Pontífice, ?surge a pergunta: essa voz interior seria contrária, distinta ou coincidente com a da inspiração sobrenatural do divino Paráclito, prometido por Jesus??. É o momento ? declarava Paulo VI, de a Teologia do Espírito Santo Paráclito entrar em contacto com a psicologia humana. A profundidade do ser humano é o espaço onde o Deus Transcendente se torna Imanente. No final de contas, Deus é Emanuel ? (Deus conosco). Apela o Vaticano II para a ?profunda interioridade? da atração divina num trabalho de ?direta imperceptível? que gera uma intuição que faz o inconsciente explodir no rosto da consciência humana. Não se trata de uma ação rara, senão de todos os dias, de cada momento, principalmente quando fazemos aquele silêncio interior. Se assim é e tem sido, sem a explosão do Paráclito, o cosmo seria um caos; sem o Paráclito, dinamizando o inconsciente, Deus seria um ser distante, mero arquiteto de um universo sem sentido, e Cristo, um ser histórico do passado; sem a explosão do Paráclito, trazendo à baila, o inconsciente, seria o Evangelho letra morta, ao capricho de cada leitor. Sem o Paráclito seríamos uns abandonados, sem advogado, nem valedor. Com o Paráclito, sempre atualizando o nosso inconsciente, já começa para nós, nesta terra, o que jamais se findará na outra vida. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e membro da Academia Alagoana de Letras.