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A Casa de Tavares Bastos

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| AGATÂNGELO VASCONCELOS * Aureliano Cândido Tavares Bastos, eminente vulto de projeção nacional, é considerado o Patrono do Poder Legislativo de Alagoas. Por conseqüência, empresta o seu honrado nome ao prédio onde funciona a nossa Assembléia Legislativa. A sede desta instituição é conhecida, pois, como a Casa de Tavares Bastos. Considerando que o citado órgão político-administrativo tem sido comparado, inicialmente por respeitada autoridade policial, com a celebérrima Caixa de Pandora de onde emanam todos os males que afligem a humanidade, como estaria se sentindo, lá no páramo celeste, o ilustre epônimo? Se é que naquelas regiões do espaço-tempo, ?no assento etéreo (...) memória desta vida se consente? (Camões), não deverá estar bem, certamente, o notável conterrâneo, tantas são as tribulações por que tem passado o Legislativo alagoano nos últimos meses em decorrência da má conduta de grande número dos seus integrantes nos últimos anos, talvez decênios. Tavares Bastos que também foi político, aliás, deputado federal por Alagoas, combativo, corajoso e naturalmente polêmico, nunca foi uma unanimidade no cenário brasileiro. Mas foi homem de inatacável estrutura moral, de elevada estatura cívica e patriótica. Vem a calhar repetir o que dele afirmou outro coestaduano brilhante, o mestre Guedes de Miranda: ?Devemos chamá-lo de estadista, já que político é um vocábulo que perdeu o sentido. Precisamos diferenciá-lo dos inquilinos do erário e exploradores do povo?. E como a nefanda Caixa de Pandora não cessa de expelir as suas desgraças sobre todos nós, é perfeitamente legítima e democrática a crescente pressão da coletividade alagoana por uma ampla e profunda moralização dos costumes político-administrativos de Alagoas. O que agora se sabe da Assembléia Legislativa, deverá vir a ser a ponta da meada, o fio de Ariádne que levará a sociedade, por vias legais e republicanas, a exigir modificações que venham a alcançar outras instituições, muitas delas comprometidas e lenientes, que por isto mesmo deixaram correr solta ao longo do tempo, a concupiscência financeira que hoje nos revolta. O velho e sempre atualizado Rui Barbosa falava-nos do triunfo das nulidades e da vitória dos desonestos que chegariam a envergonhar os decentes por serem honrados. Também nos fala da ira que não espelha maldade mencionando as labaredas da indignação. Somente assim Tavares Bastos sentir-se-á verdadeiramente homenageado e permanecerá em paz, orgulhoso dos alagoanos. (*) É médico e professor.

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