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Opinião

A viol�ncia das substitui��es

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| JOSÉ MAURÍCIO BRÊDA * ?José Carneiro d?Albuquerque, o primeiro oculista de Maceió, era um jovem médico pernambucano que veio aqui praticar a oftalmologia numa época em que os médicos faziam tudo: atendiam aos partos, os enfermos e até os doentes da visão. Integrou-se à medicina e passou a ser outra grande referência em Alagoas. Voltou-se da oftalmologia para a cirurgia e, junto a Vegas Carlos Duarte, foi o fundador da cirurgia em bases científicas reais nas Alagoas. Devemos também a ele a acertada estrutura que permitiu ao Pronto Socorro de Maceió, durante decênios, vida útil e respeitável.? (Ib Gatto Falcão em I.G.F. Um Gigante das Alagoas do acadêmico Diógenes Tenório Jr.). Foi para que esse homem ficasse sempre lembrado que dr. Ib denominou de dr. José Carneiro o hospital que construiu no complexo da então Fundação Lamenha Filho. No ano passado, ainda com saúde, já desconfiava de que alguma coisa estava sendo tramada. Escreveu artigo, aqui mesmo neste espaço, alertando para o que hoje se está evidenciando: a troca do nome do hospital. Nada contra a ilustre figura do novo homenageado, que bem a merece, mas discordo deste costume nosso de substituições de homenageados, quando é sabido que não pediram para ser. Se não mais querem reverenciar sua memória, respeitem ao menos seus descendentes, que ainda aí estão, como seus netos: professor Breno Carneiro Carnaúba; arquiteto José Alberto C. Carnaúba; engenheiro Marcos C. Carnaúba e seus bisnetos, dentre eles, a atuante procuradora de justiça Cecília Carnaúba. Oportunidade não faltou, no mesmo segmento, para homenagens, quando se abriu mão de termos na década passada um hospital geral da maior envergadura ? inspiração e início de construção do governo Fernando Collor e Moacir Andrade ? cedendo sua estrutura para a Justiça Federal, sob o frágil argumento de que o Estado não suportaria sua manutenção. Ainda bem que a saúde do dr. Ib impede-o de passar por mais essa desventura e decepção. Mas vem dele essa lição, no mesmo livro citado ? ?Nós somos parcos em homenagear; quando o fazemos, às vezes, não sintonizamos bem o vulto da homenagem com a vinculação do homenageado, enquanto, para mal nosso, olvidamos personalidades marcantes, que ajudaram a construir esta terra, tornando-se referências exemplares e constrangendo-nos a conhecer, aqui e ali, o festival das placas comemorativas. Nos registros que ostentam, com a violência das substituições na vã glorificação de trabalho que se não realizou.?. (*) É bacharel em Economia.

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