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Opinião

O (relativo) valor do trabalho

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| RONALD MENDONÇA * Muitíssimo aborrecido com as condutas inadequadas do primeiro casal, o Criador, sem perder a divina doçura, foi curto e grosso. Daquele momento em diante só ganharia a bóia quem trabalhasse. Ou seja, nem Deus previu que um dia haveria no planeta um País que desperdiçasse tanto dinheiro em mordomias e safadezas como o nosso. Convenhamos que não é fácil a relação trabalho/remuneração. Agora mesmo, amarga-se prejuízo de um bilhão de reais por conta de greve dos auditores da Receita Federal, que batalham por teto salarial em torno de 22 mil reais. Pelo lucro que esse pessoal dá à Nação multando médicos e dentistas a torto e a direito, é claro que eles merecem muito mais do que isso. Certamente, sob esse aspecto de retorno financeiro, contribuem muito mais do que dezenas de parlamentos espalhados pelo Brasil, inclusive a nossa amoral Assembléia. Sim, porque pelas contas do advogado José Costa em artigo publicado na revista eletrônica Espia, nossa Casa legislativa, não obstante monolítica e corporativista, é dividida em dois blocos distintos. Os altamente remunerados (?alto clero?), de ganhos superiores a 400 mil reais e os de ?baixos salários? (os ?ideológicos?), cuja mordida gira em torno de 120 mil ?pila?. A despeito de cifras astronômicas e mil mordomias capazes de causar inveja em Adão, Eva e na serpente, nossos nobres representantes enveredam pelas sendas de empréstimos fajutos, pagos pela Assembléia, tentação da qual não escapou nem o nosso prefeito Cícero Almeida, hoje, esperança maior de administração pública em Alagoas. Pari passu aos impostos recolhidos da goela da classe média (funcionários públicos, profissionais liberais, dentre outros), ficamos sabendo que no gabinete civil da presidência da República, a ministra e sua entourage dão cobertura logística à preparação de dossiês. Tudo para chantagear adversários e evitar que se aprofundem pesquisas sobre peraltices desse governo através de cartões de crédito. Entre gracejos de mau gosto do presidente, não é de admirar, pois, que, por falta de competência, estejamos retrocedendo no tempo e vivendo medieval epidemia de dengue. Por todas, a população está cada vez mais convencida de que trabalha para subvencionar sacanagens. Mas eu queria mesmo era falar de Cuba que, em decisão histórica, resolveu premiar a quem trabalha mais, abolindo teto salarial, abrindo perspectivas para iniciativas de pôr asas em sonhos de liberdade. (*) É médico e professor da Ufal.

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