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Opinião

A festa do desperd�cio

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| LYSETTE LYRA * A partir do excelente e patriótico serviço prestado pela Polícia Federal, os absurdos praticados pelo poder público têm vindo à tona, deixando-nos escandalizados. Até que ponto tem chegado o desmantelo com o dinheiro do povo! O pior é que as tramóias descobertas incomodam, ainda mais, porque não vemos ser tomadas providências, por parte dos governos, no sentido de uma rígida moralização. CPIs são organizadas, contestações e depoimentos para lá e para cá, ações jurídicas a favor ou contra os culpados, mas passam-se os meses e, no fim, tudo termina em ?pizza?. Raramente alguém é castigado, o dinheiro não volta ao Estado e os faltosos merecem, às vezes, até aplausos e desculpas do presidente! É sobejamente sabido que a impunidade é que gera o crime. Apesar do que afirmam os ministros que o País ?vai de vento em popa?, empregos, escolas para todos, inflação contida, universidades para os jovens, etc, o que a televisão nos mostra e o que observamos é totalmente diferente. Temos a impressão de que o Brasil está desabando. Vemos escolas em condições miseráveis, a pobreza cada vez maior, as prisões superlotadas e indignas, os doentes morrendo por falta de assistência, nos corredores dos insuficientes nosocômios e de males de responsabilidade, sobretudo, da saúde pública. As estradas estão esburacadas, desafiando a vida dos motoristas. A violência é uma realidade assustadora, espreitando em cada esquina. ?Não há recursos do governo para nada?, é a desculpa irresponsável dos dirigentes! Também, com tanta roubalheira. E a nação apresentou um resultado surpreendente na sua dívida externa! É realmente o País dos absurdos. Além das fraudes avassaladoras, todos os dias a mídia mostra vários casos de desperdício envolvendo a gerência de nosso País, em diversos setores. Tantas clínicas abandonadas, aparelhagens hospitalares deteriorando-se em depósitos, algumas ainda embaladas, excesso de funcionários ociosos ou fantasmas, pagos pelas repartições públicas, sem nenhum constrangimento, construções inacabadas se arruinando sob as intempéries, pontes erguidas sobre o nada, tantas vezes produtos de obras superfaturadas. Enfim é uma desarrumação completa. E o escândalo dos cartões corporativos? Mistério! Alguns apareceram na contabilidade das Galerias La Fayette de Paris! Milhares de euros estão lá, sob sigilo. Agora, as vésperas das eleições, começam as artimanhas para iludir o povo ingênuo que se vende por quaisquer trocados. (*) É escritora.

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