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Opinião

Uma festa de amor

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| ANILDA LEÃO * Foi realmente uma festa de amor, principalmente pela intenção fraterna de arrecadar donativos em benefício da Instituição Espírita Fernando Malta de Campos. Na verdade, a motivação maior para aquele encontro beneficente e cristão. Idéia de minha filha, Luciana Moliterno, que mora na Inglaterra, mas que veio a Maceió para aqui confraternizar, entre amigos e parentes, pela passagem de seu aniversário. Festa bonita e fraterna, com os salões da Casa da Palavra superlotados de pessoas queridas, admiradores dela e de sua bela voz de soprano. A renda do CD foi toda revertida para a instituição, além dos alimentos arrecadados. Emocionou-me ver e ouvir minha filha cantando, não só música popular como trechos de ópera, como uma verdadeira diva. E também por me fazer relembrar os tempos do nosso nunca suficientemente pranteado Conservatório de Música, tão bem dirigido por Venúzia de Barros Melo, professora e musicista do maior quilate. Que saudade dos nossos recitais de canto e declamação, sempre com o Deodoro lotado! Hoje, são os meus filhos e netos, além de um bisneto, as maiores motivações da minha vida. Os filhos, que fiz questão de ter sofrendo as dores mais cruciantes durante horas, mas sem me render ao bisturi e à cesariana, com que o meu compadre Paulo Neto me acenava de vez em quando, ao achar que minhas forças tinham chegado ao fim. (Essa coragem vinha certamente pela intercessão da espiritualidade maior, por mim sempre invocada nos momentos difíceis por que todos passamos na vida). Hoje, eles estão aí, me compensando com seu carinho e cuidados, até exagerados por conta da minha rebeldia, sempre querendo fugir aos limites a que, infelizmente, os mais velhos estão sujeitos. Mas aqui estou, feliz com o sucesso de minha filha, com sua voz belíssima e sem perder aquele seu jeitinho de adolescente nem com os cinqüenta anos recém-completados. Atrevida, arrisquei finalizar o espetáculo com o maior presente que acho que poderia lhe dar, cantando a Ave Maria de Gounoud, ainda que com essa voz oitentona que Deus me permite. Um abraço emocionado e o cochicho ao meu ouvido seria mais ou menos assim: ?Sua danadinha, apesar do tropeço, valeu!?. E valeu mesmo, essa noite que contou ainda com boas interpretações poéticas das Marias Ângela e Emília, com canto de Madalena Oliveira, Mirtes Leão, Alfredo Gazzaneo, tudo sob a batuta do competente e versátil Luiz Carlos Ângelo. Valeu, minha filha! (*) É escritora.

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