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Opinião

Chiara Lubich

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| DOM EDVALDO G. AMARAL * No dia 14 de março último, retornou ao Reino do Pai Chiara Lubich, sem dúvida uma das figuras femininas que mais marcaram o século 20, ao lado de Teresa de Calcutá e Edith Stein. Quando eclodiu a 2ª Guerra Mundial, Chiara vivia em Trento, cidade famosa pela realização do Concílio da Contra-Reforma (1545-1563). Durante os terríveis bombardeios que destruíam sua bela cidade, Chiara descia com suas companheiras para o refúgio anti-aéreo, levando o livro do Evangelho, como única leitura e oração. E ali, na oração e na contemplação da Palavra de Vida, nasceu o Ideal da unidade. Quando tudo desmoronava em torno dela, somente uma coisa permanecia: o ideal do amor mútuo, ver Jesus em cada companheira, estar pronta a dar a vida pelo outro. Numa Europa dividida por tanto ódio, a resposta para Chiara e suas primeiras discípulas era uma só: ver Jesus no meio e lutar pela unidade. O ideal da unidade foi semente fecunda, da Obra de Maria, seu nome oficial, porque vê nela a perfeita realização do amor e da unidade, embora seja mais conhecida como o Movimento dos Focolares, que em italiano é lareira, lar. São os focolares que levaram ao mundo inteiro o ideal da unidade de Chiara. Ela dizia, em palestra de 1985, que a unidade é tão difícil, tão excelsa, que só Jesus pode realizá-la. Ver Jesus no outro para construir a unidade de todos os homens, independentemente de classe social, religião, etnia ou cultura. Hoje, os focolares estão presentes em 182 países, são cerca de cinco milhões, distribuídos em: internos (focolarinas e focolarinos consagrados, solteiros ou casados); ramos (sacerdotes, diáconos, seminaristas, voluntários) e movimentos (como as famílias novas, paróquias novas e jovens, como os vários Gen, Gen 2, 3 e 4, pela idade e outros. Há ainda aderentes e colaboradores, que reúnem outras religiões. Os bispos são chamados ?Amigos do Movimento?. (Dados da revista Cidade Nova, abril 2008). Nas solenes exéquias celebradas em 18 de março, na Basílica de São Paulo em Roma, o papa Bento XVI enviou o seu secretário de Estado, Card. Tarcísio Bertone, com uma mensagem especial. Participaram 17 cardeais, 50 bispos, cerca de 500 sacerdotes e uma multidão calculada em 30 mil pessoas, que lotaram a basílica. Entre esses, estavam monges budistas, líderes muçulmanos, bispos luteranos e representantes das Igrejas evangélicas de todo o mundo. Também em São Paulo, no domingo, 13 de abril, na missa de 30º dia, celebrada por 25 bispos brasileiros, estava presente o líder muçulmano do Brasil. (*) É bispo emérito de Maceió.

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