Opinião
Marketing e elei��o
RICARDO GARCIA * A lei eleitoral recebeu alterações mais rígidas contra a fraude nos processos eleitorais e aí está a tecnologia com a urna eletrônica, substituindo as antigas e viciadas urnas de votos de papel. A legislação de hoje é mais transparente e candidatos e partidos podem, legalmente, arrecadar e utilizar verbas doadas especificamente para as campanhas. Especialistas garantem que o País movimentará nas eleições deste ano nada menos do que R$ 5 bilhões. É evidente que essa maturidade exige mais da política e dos políticos de hoje. Exige mais ética, mais coerência e mais técnica e profissionalismo no trato da imagem pública e das idéias de transformação. A informação cresceu e expandiu-se através da televisão, da Internet, da leitura visual, do contato mais direto entre política e sociedade, entre político e povo. O candidato entende que a sua linguagem com o eleitor está mais sofisticada, mais coerente dentro do novo cenário político-cultural, iniciado após os governos militares. É aí que entram o marketing político e a propaganda de imagens e idéias propriamente ditas. Partidos e candidatos disputam nomes e agências da mesma forma que disputam votos, e os instrumentos usados pelos marqueteiros são os mesmos do mercado competitivo de produtos e serviços: pesquisas, planejamento, comerciais, ?showmícios? e brindes. O diferencial está em como usar esses instrumentos em torno de um candidato, de um partido, de um projeto político. O marketing deve ser visto como uma forma de aproximar as idéias e o candidato dos eleitores, e não fazer um candidato falso para enganar o eleitorado. O marketing ajuda no debate entre a democracia e a ética política e provoca no setor a necessidade de se elevar o nível dos candidatos e dos processos eleitorais. As discussões pessoais deram lugar aos debates públicos de projetos e as pesquisas eleitorais ajudaram muito nesse aspecto. São elas que traduzem os desejos, reclamações e impressões dos eleitores, determinando o apêndice dos trabalhos de marketing político no Brasil. Porém, iso-ladamente, marketing não ganha eleição e isso é unanimidade entre os profissionais do setor. O marketing apenas potencializa candidatos e propostas mais adequadas às expectativas dos eleitores em determinado momento. Mas, pode-se afirmar que para fazer marketing político é preciso ter democracia e, para fazer um candidato vencedor, é essencial usar a ética como palavra de ordem. Assim, ética e democracia transformam o marketing num mecanismo eficaz de comunicação entre a política e a sociedade. (*) É ECONOMISTA E PUBLICITÁRIO