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Os prazeres da falsidade .
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Jeremy Campbell em sua obra “A saga do mentiroso, uma história da falsidade” abre o capítulo onze, intitulado “Os prazeres da falsidade”, com um pensamento de Goethe: “A verdade é contrária a nossa natureza, o erro não, e isso por uma razão muito simples: a verdade exige o reconhecimento de nossas próprias limitações, o erro nos dá a ilusão de que, de um jeito ou de outro, somos ilimitados”.
Campbell registra que Nietzsche escreveu: “A mentira é mais natural do que a verdade. A vontade é mais arraigada e vigorosa, porque baseada em instintos, essas velhas forças da sobrevivência, enquanto a consciência é uma recém-chegada, uma novata frágil como um gatinho e, portanto, delicada e frágil. A maioria das pessoas é, por constituição, incapaz de viver com a verdade. Elas podem tomá-la apenas em pequenas doses, adoçadas com muita ilusão. Não são resistentes o bastante, mental ou moralmente, para dela se embebedarem de uma só vez”.
Campbell afirma que mentem – mentimos – todos. Mentem os políticos e os que dizem que os políticos mentem. À memória dos bons políticos mineiros dos tempos mais civilizados: Tancredo Neves e José Maria Alkmin, que eram adversários ferrenhos. Alkmin assumiu como vice de Castello Branco e eles se encontraram inesperadamente. Tancredo perguntou: “Alkmin, você recebeu meu telegrama?”. Resposta pronta: “Recebi e já respondi!”. Não existia telegrama nenhum, evidentemente.
Mentem os adultos e as crianças. Os ricos e os pobres. Mentimos até para fazer com que seja verdade, como ensina o célebre paradoxo de Picasso sobre a arte.
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O autor constata que a questão da verdade deixou de estar no centro da especulação filosófica, mas especialmente agora, na pós-modernidade, substituída pelas redes sociais que eliminaram a reflexão nos seus embates.
Estamos vivendo isso. O último exemplo foi a manutenção, pelo Congresso, do veto oriundo do governo anterior ao uso das fake news nas eleições (teremos eleições com as mentiras sacramentadas na Legislação, isso pode, Arnaldo?).
Fato constatado paralelamente à gigantesca calamidade pública do RS, resultado do negacionismo climático, assim como foi para parte das mais de 700 mil mortes decorrentes do negacionismo das vacinas na pandemia de Covid-19 no Brasil. O negacionismo, uma forma grotesca da mentira, destrói a economia e mata.
Segundo Campbell, a mentira vive, talvez como nunca, dias de florescimento e reparação, já não se refletindo apenas no espelho da maldade, do desvio do erro. Mas, ironicamente, continua a precisar da verdade, e de uma sociedade que tenha a verdade como paradigma, para surtir efeito.
Um exemplo: alguns dos negacionistas das vacinas até tentam se retratar, mas eles se enrolam e usam novas mentiras para isso. Menos mal que eles vacinaram os seus rebanhos bovinos, afinal, os animais são inocentes e mentem pouco. Isso pode, Arnaldo.