Opinião
Farol via Po�o
| VINÍCIUS MAIA NOBRE Na década de 50, os coletivos que serviam à população urbana de Maceió tinham como regra a ligação do bairro ao Centro. Não existia a ladeira da Rodoviária. O concessionário da linha do Farol modificou o trajeto estendendo do Centro até a praça do Bonfim. A moçada batizou essa linha de ?Farol via Poço?. Logo, toda atividade que exigia tempo mais prolongado se dizia fazer um Farol via Poço! Sessenta anos depois, muitos moradores desse bairro estão fazendo um verdadeiro Farol via Poço em função de uma obra que a municipalidade executa no cruzamento das avenidas Tomaz Espíndola e Dom Antônio Brandão, obra continuação daquela da Ladeira do Brito, inaugurada há mais de um ano. É um castigo a quem se dirige para a região da Fernandes Lima. Desce-se para o Poço pela ladeira da Rodoviária e volta-se pela mesma. Suplício maior é para aqueles que seguem outro roteiro sugerido pela Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito. Nada de anormal, não fosse a demora da construção de uma obra tão simples. Com certeza a população compreenderia e suportaria o sacrifício, mas, o que não se aceita é a ?dosagem homeopática? a todos aplicada. Uma obra planejada deve ter seus recursos assegurados, cronograma elaborado principalmente àquelas com serventia pública. O cronograma deve atender ao interesse da coletividade e nunca aos interesses eleitoreiros. Mesmo sendo obras pontuais, a população reconhece o trabalho no setor viário que a atual administração municipal vem levando a efeito, mas paciência tem limite. O transtorno proveniente do congestionamento de trânsito pelas obras em andamento, acrescente-se aqueles provocados pelos movimentos reivindicatórios, os quais sem nenhum ordenamento pelas autoridades competentes, em qualquer hora e sem respeito ao direito dos cidadãos, criam uma situação aflitiva prejudicando aos que circulam na cidade em busca de seus misteres. Ultimamente foram protestos de toda ordem, proprietários de ?vans? de transporte complementar, componentes do MST ocupando instalações portuárias e rodovias, grevistas de tudo que é lado, todos atanazando o pacato cidadão e dele abolindo o elementar preceito constitucional do livre ir e vir, sob os olhares complacentes das autoridades que deveriam discipliná-los. Protestar é um direito de todos nós que vivemos sob regime democrático, mas não se pode postergá-los dos seus semelhantes. (*) É engenheiro. E-mail: [email protected]