Opinião
Isabella e os que andam no sil�ncio
| GILKA MAFRA * Não podemos negar que a morte da menina Isabella comove o País. Um crime brutal, inimaginável, inexplicável, doloroso, mas que infelizmente nada mais há a se fazer, a não ser esperar por justiça! A exposição do caso Isabella mostra como a mídia busca e sobrevive da audiência. Todos param para ver ou ler notícias sobre o caso! A investigação policial alimenta a curiosidade da população. Assim como as contradições, as testemunhas, a perícia detalhada. Num país cheio de escândalos, parece que a maneira brutal como a morte prematura da menina ocorreu, calhou num período sem fatos surpreendentes para a imprensa. Conforme atestam os institutos de pesquisas, fatos policiais garantem audiência. A morte de uma criança indefesa em si já chama a atenção, ainda mais envolvendo uma menina linda, de família branca, teoricamente equilibrada, e de classe média alta. Ingredientes perfeitos para chocar a população e alimentar o dia-a-dia do noticiário. Isso sem falar na situação que rodeava Isabella, como a separação dos pais, convivência com madrasta, irmãos de outro casamento. Realidade que remete aos lares de muitas famílias brasileiras. Isso também garante a audiência e a conseqüente notoriedade exagerada do caso. A morte realmente foi algo chocante. Mas não só Isabella sofre. Outros milhares de crimes contra crianças e adolescentes acontecem diariamente em todo o País. A exposição do caso, ganhando as manchetes dos jornais e revistas, e comovendo juristas, policiais, representantes do Ministério Público e a sociedade civil organizada, deveria servir para sensibilizar a Justiça e as autoridades públicas a tomarem providências para evitar que novas agressões contra crianças sejam feitas. Os culpados deveriam ser julgados e punidos. Isso certamente ajudaria a reduzir novos casos de violência, que andam em silêncio! Como mãe, gostaria que o ?Estatuto da Criança e do Adolescente?, fosse respeitado no Brasil. Hoje, praticamente um amontoado de folhas, com artigos e parágrafos que não vigoram. Melhor seria que essa mesma força e determinação da população, que acompanha o desenrolar dos fatos sobre o caso da menina Isabella, impulsionassem uma revolução no Brasil em favor das milhares de crianças desamparadas, que estão abaixo dos nossos olhos, morrendo aos poucos... (*) É jornalista, editora e apresentadora do AL TV 2ª edição/TV Gazeta.