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�gua e mis�ria

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| ÁLVARO MENEZES * Em 26 de abril passado, a TV Gazeta apresentou no programa Terra & Mar uma matéria sobre desertificação e a miséria que resulta desse problema ambiental que avança rapidamente sobre o Semi-árido nordestino. Mostrando tristes exemplos do uso de água de má qualidade por moradores da zona rural dos municípios de Maravilha e Ouro Branco, entrevistou uma jovem mãe de família que tentara a sorte em uma ?cidade grande?, retornando logo depois de sofrer todos os efeitos negativos que essa mudança de local pode, às vezes, representar. Em resumo, emocionada e lamentando ser uma condenada à miséria, afirmou que a ela não restava nem a opção de sonhar. A desertificação é um grave fenômeno natural visível no Nordeste, desde o Sertão de Alagoas até o do Piauí, muito mais grave que a tão falada e ?bem? administrada indústria da seca, cujas soluções são postas como prioridades há mais de um século. Até um grande órgão público foi criado para tentar mudar a cruel realidade de oportunismo, coronelismo e miséria: a Sudene. Extinta e recriada só para atender o que a notabilizou, que foi e é viabilizar o jogo eleitoral com cara de política social ou, pior ainda, de desenvolvimento econômico. A solução para a seca tem um caráter técnico simples e uma complexa metodologia de gestão. É preciso ter água para usos domésticos e agrícolas, porém, mais que isso, é preciso ter bons projetos e uma boa gestão dos sistemas implantados. Superar a miséria existente em vastas áreas do Semi-árido e do Sertão não é ter canais cheios de água evaporando e contribuindo para prováveis desastres ambientais nem grandes barragens ou rios perenizados ou longas adutoras, é preciso saber como, para quê e por quem a água disponibilizada poderá ser bem usada e a que custo, onde ela poderá apresentar verdadeiros resultados sociais, econômicos e ambientais, bem como de que forma as populações dessas regiões terão acesso à água. Enquanto a gestão de recursos hídricos no Nordeste tiver como maiores protagonistas os políticos oportunistas e suas emendas ?particulares?, ditas parlamentares, e não se fortalecer realmente o papel da ANA (Agência Nacional de Águas) e das secretarias de recursos hídricos estaduais, administradas como órgãos de governo e não como apêndices de donos de partidos políticos, não só a desertificação se tornará muito mais próxima e real, como a conseqüente miséria se transformará no pesadelo real daqueles que com certeza não terão mais condições de sonhar. (*) É diretor comercial da Casal.

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