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Acontecimentos violentos e rea��es infantis

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| JOSÉ MEDEIROS * Nas últimas semanas, dois acontecimentos contundentes contra a vida humana foram bastante divulgados pela imprensa. Podemos conhecer dois que se destacaram: o caso de uma filha que matou a mãe porque esta se negou a entregar-lhe a chave do carro, para que ela fosse assistir a uma apresentação musical; e o doloroso assassinato da menina Isabella, de apenas cinco anos. Foram fatos comoventes que nos envolveram de tristeza. A médica patologista Valéria Hora costuma dizer que boa parte da humanidade se enquadra como tecido social benigno, de boa qualidade, saudável e de fácil convivência; mas, numa outra vertente, abriga tecido social maligno, invasor, destruidor e propenso à violência e insanidades. A morte de Isabella é um desses casos que agridem a alma e a sensibilidade, com um sério agravante: as principais linhas investigativas têm o próprio pai da garota e sua madrasta como responsáveis pela tragédia. Diante de tamanha atrocidade, pergunta-se onde ficou tudo aquilo que acreditamos existir na relação sublime entre pai e filha, por mais difícil que seja a convivência. O escritor Humberto de Campos afirma em uma de suas obras: ?A maior dor de um pai é aquela que lhe vem através da carne de um filho?. A influência da mídia (da televisão, principalmente), é muito forte, de maior impacto sobre crianças. Este relato de uma psicóloga bem comprova essa influência. ?Uma criança de quatro anos perguntou ao pai: ? Você seria capaz de me matar?? ? O pai, surpreso, respondeu: ? ?Não, minha filha, eu amo você, e jamais seria capaz de uma violência contra minha querida filha.? ? ?Então, pai, por que o pai de Isabella matou a garotinha?? E, antes que ele respondesse, acrescentou: ?Eu sonhei com ela, pai, e acordei chorando.? A criança brasileira assiste à televisão, aproximadamente, vinte e três horas por semana; ninguém põe dúvida de que essa mídia influencia valores e comportamentos. O que não se pode mensurar é se repetidas cenas de cruéis assassinatos assistidas por crianças podem determinar comportamentos agressivos no futuro. Infelizmente, delitos e crimes acontecem em todas as classes sociais; são extremas curvas de caminhos extremos, praticados por mentes dominadas pela intolerância e pelo ódio. É necessário que seja ensinado ? no seio da família ? o culto da paz, da antiviolência, do amor e da solidariedade humana; o aperfeiçoamento do conhecimento e, a par disso, o gradativo doutoramento do coração e da sensibilidade. (*) É médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde.

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