Opinião
Efici�ncia permanente
| GEOBERTO ESPÍRITO SANTO * Está descartada a possibilidade de faltar energia elétrica em 2008, preocupação do início do ano. Os reservatórios não estão no ideal, mas o sistema elétrico brasileiro está com uma maior musculatura para fazer força para que isso não aconteça. As linhas de transmissão podem transferir mais energia entre regiões, como está sendo feita do Norte e do Sudeste para o Nordeste. Falta gás natural para acionar todas as termelétricas, mas o que existe tem auxiliado na preservação dos reservatórios. Sem gás para todas, estão sendo chamadas para entrar em operação térmicas a carvão e a óleo combustível, mais caras e mais poluentes, mas a diferença de preço só vai aparecer nos reajustes anuais das concessionárias. Para que essas térmicas funcionassem, modificaram os critérios de entrada em operação pela ordem do mérito econômico. As refinarias da Petrobrás substituíram gás natural por nafta/óleo combustível, para poder liberar mais gás para a geração de eletricidade, operação que sacrifica o balanço da empresa. Até a Ceal encerrou o seu programa Energia Pura, fazendo os consumidores que possuem gerador usarem o diesel em substituição à energia elétrica, encarecendo a conta. Foram adotadas inúmeras ações preventivas, feitas com um maior custo, que certamente vão provocar pressão negativa nos índices inflacionários. Pode não faltar eletricidade, mas a crise de energia é visível até para os leigos. Era compreensível que o governo federal não declarasse existir problema com o fornecimento de energia elétrica em 2008. Admitir isso seria, para uns, afastar investimentos num País que precisa ter um crescimento anual de 5% no seu PIB para criar 1,5 milhão de empregos para os jovens que todo ano chegam ao mercado de trabalho. Para o segmento industrial seria antecipar a produção de bens e, para outros, aumentar o consumo agora para elevar a quota permissível quando viesse o racionamento. Para uns poucos que estão no mercado livre de energia, seria melhor parar a produção e vender energia pelo preço que estava sendo praticado no mercado spot. Agora, com um suprimento confortável, chegou o momento de pôr em prática um programa de eficiência energética permanente, para eliminar desperdícios e melhorar o rendimento de máquinas e processos. A eficiência energética é a fonte de suprimento mais barata, a que gera empregos duradouros e a que menos impacta o meio ambiente. (*) É engenheiro e professor da Ufal.